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	<title>researchcafe &#187; Literatura &amp; Linguística</title>
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		<title>Irene Pimentel faz retrato da presença judia em Portugal entre 1939-45</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Nov -0001 00:00:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Bartender</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura & Linguística]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>

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		<description><![CDATA[Os judeus que se refugiaram em Portugal, durante a II Grande Guerra, viveram em duras condições, apesar da hospitalidade dos portugueses, afirma Irene Flunser Pimentel, que apresenta quarta-feira, em Lisboa, um livro sobre a presença judaica no país.

O livro será apresentado por Esther Mucznik, da Comunidade Judaica, e pelo historiador José Pacheco Pereira, na Pastelaria [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os judeus que se refugiaram em Portugal, durante a II Grande Guerra, viveram em duras condições, apesar da hospitalidade dos portugueses, afirma Irene Flunser Pimentel, que apresenta quarta-feira, em Lisboa, um livro sobre a presença judaica no país.<br />
<span id="more-801"></span><br />
O livro será apresentado por Esther Mucznik, da Comunidade Judaica, e pelo historiador José Pacheco Pereira, na Pastelaria Suíça, no Rossio, &#8220;um dos pontos de encontro dos judeus na época&#8221;, explicou à Lusa a autora.</p>
<p>Segundo Irene Pimentel, a forma hospitaleira como os portugueses acolheram os refugiados judeus, &#8220;desobedecendo às ordens de Oliveira Salazar&#8221;, constitui uma ironia histórica, na medida em que &#8220;o governante não falava do assunto, mas fê-lo diplomaticamente notar, terminada a guerra aos Aliados&#8221;.</p>
<p>O livro &#8220;Judeus em Portugal durante a II Guerra Mundial&#8221; é a primeira obra da colecção &#8220;História&#8221;, da editora Esfera dos Livros, escrita por um autor português.</p>
<p>Irene Flunser Pimentel é mestre em História Contemporânea pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas de Lisboa.</p>
<p>Segundo a historiadora, entre 1939 e 1945 passaram por Portugal, &#8220;um país a viver em autarcia, com uma ideologia nacionalista&#8221;, entre 50.000 e 100.000 judeus que &#8220;esperavam para atravessar o Atlântico&#8221; e assim fugir ao holocausto nazi.</p>
<p>Em Portugal, os refugiados judeus &#8220;eram tratados de forma igual, sem qualquer anti-semitismo, mas indesejáveis aos olhos de Salazar&#8221;.</p>
<p>Residiam na Costa do Estoril, Caldas da Rainha, Porto, Lisboa, Coimbra e Figueira da Foz, essencialmente, &#8220;não havendo qualquer marginalização, e quanto muito curiosidade por parte dos portugueses&#8221;.</p>
<p>A sua presença era notória, frisou a investigadora, &#8220;tanto mais se tivermos em conta que Lisboa não ultrapassava os 400.000 habitantes&#8221;.</p>
<p>Dessa vaga de judeus, &#8220;de que em Portugal nem se fazia bem a ideia quem eram, para além de pessoas com hábitos diferentes, ficaram a residir e a viver menos de 10.000&#8243;.</p>
<p>&#8220;Salazar não os queria cá, nem os autorizava a trabalhar, nem lhes dava qualquer apoio, apenas aceitava que organizações humanitárias judaicas trabalhassem no terreno&#8221;, disse a historiadora.</p>
<p>Irene Pimentel levou seis meses a escrever este livro que resulta &#8220;de anos de investigação&#8221;, onde incluiu testemunhos orais de judeus e documentos oficiais, nomeadamente dos arquivos Salazar e do Ministério dos Negócios Estrangeiros.</p>
<p>Outro arquivo consultado foi o da extinta polícia política PIDE/DGS, mas &#8220;para este período de 1939-1945, há pouca documentação e não se conhece o seu paradeiro, colocando-se até a hipótese de a própria polícia política o ter destruído&#8221;.</p>
<p>A autora utiliza ainda documentação inédita, nomeadamente fotografias que publica, &#8220;e uma vasta bibliografia&#8221;.</p>
<p>&#8220;Este é um livro de síntese sobre a presença judia em Portugal naquela época&#8221; que a historiografia nacional &#8220;nunca prestou grande atenção por vicissitu des várias&#8221;, acentuou.</p>
<p>Ao longo de cerca de 400 páginas Irene Flunser Pimentel traça um retrato humano da passagem destes refugiados por Portugal, &#8220;um país pobre, conservador , orgulhosamente só, a viver numa ditadura rígida sob o comando de António de Oliveira Salazar que se vê a braços com uma invasão inevitável, mas indesejada&#8221;.</p>
<p>Todavia, &#8220;Portugal não sai deste livro mal colocado&#8221;, disse à Lusa a historiadora, &#8220;havendo contudo essa ironia entre o &#8216;não&#8217; de Salazar e a forma huma nitária como os portugueses receberam os judeus e depois como Salazar se aproveitou desse facto na cena internacional, acabada a guerra&#8221;.</p>
<p>FONTE: Agência Lusa (Notícia SIR-8015355)</p>
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