Nanotecnologia vai levar discussão científica a um plano moral Bartender 19 Fevereiro

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As aplicações artificiais no domínio da medicina associadas à nanotecnologia vão levar a discussão científica para o plano moral e suscitar medo nas pessoas, disse à agência Lusa o físico Carlos Fiolhais. «Quando aparecerem produtos que tenham por detrás moléculas artificiais, as pessoas vão ter medo. A opinião pública teme aquilo que não vê e a nanotecnologia opera à escala invísivel, de átomos e moléculas», afirmou o físico da Universidade de Coimbra.

Sublinhando que tem havido uma «evolução muito nítida» na investigação de novas aplicações no domínio da medicina, nomeadamente nos Estados Unidos ou Japão, Carlos Fiolhais lembra, no entanto, que naqueles países existe já uma «discussão pública bastante viva» sobre os avanços terapêuticos.

«Vai haver um novo Direito, uma nova regulação e a discussão vai passar para o plano moral, para os perigos de o Homem alterar a Natureza. Sempre o fez, mas agora estamos a falar de engenharia a um nível muito pequeno, que escapa à vista», argumentou.

Os medos e os riscos associados à nanotecnologia – área da ciência em que a unidade de medida é um milhão de vezes mais pequena do que o milímetro – são alguns dos temas que Carlos Fiolhais vai analisar numa conferência segunda-feira, no Casino da Figueira da Foz, perante uma plateia de jovens alunos.

Para combater os medos, o especialista contrapõe com o conhecimento e a necessidade de as pessoas terem mais e melhor qualidade de vida.

Evidencia as aplicações da nanotecnologia na área da medicina, o «sonho» em providenciar soluções contra o cancro ou doenças cardiovasculares.

«Estamos a falar de moléculas que possam contribuir para eliminar pequenos tumores ou cápsulas para desobstruir vasos sanguíneos. São promessas que a nanotecnologia já está a cumprir», sustentou o professor catedrático de Física.

Outros temas da conferência passam pelo «desenvolvimento recente» da criação, em Braga, do Instituto Ibérico de Nanotecnologia – cuja primeira pedra foi lançada no final do ano passado – e a assumpção de que aquela área da Física está hoje no domínio comum.

«É normal no léxico nacional. Há oito anos estávamos a falar para físicos, hoje falamos para jovens alunos. Para os mais jovens a nanotecnologia representa novas oportunidades», disse.

Aos 51 anos, Carlos Fiolhais dirige o Centro de Física Computacional da Universidade de Coimbra e a Biblioteca Geral da instituição. É autor de mais de 30 publicações, entre as quais o ‘bestseller’ Física Divertida, dirigido aos mais novos. O apego aos livros também encontra, nas suas palavras, ligações à nanotecnologia. Quinzenalmente, Fiolhais escreve uma crónica na secção de Ciência do SOL.

«Em 1959 o famoso físico Richard Feynman [que introduziu o conceito] questionou se era possível por os 30 volumes da Enciclopédia Britânica na cabeça de um alfinete. O facto é que, hoje, é possível por todo o saber da Humanidade em menos do que uma cabeça de alfinete», concluiu.

Fonte / Escrito por: Sol

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