Revista Science publica trabalho de investigador da Universidade de Évora Bartender 10 Janeiro

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José Rafael Marques da Silva, investigador do Instituto das Ciências Agrárias Mediterrâneas e docente do Departamento de Engenharia Rural da Universidade de Évora é co-autor de um artigo recentemente publicado pela revista Science.“The Impact of Agricultural Soil Erosion on the Global Carbon Cycle” é o nome do estudo publicado na prestigiada revista, que comprova que a erosão do solo provocada pela actividade agrícola não é uma fonte de carbono para a atmosfera, não contribuindo para o efeito de estufa.

Este estudo foi levado a cabo por um equipa de investigação internacional da qual faz parte José Rafael Marques da Silva. Os investigadores desenvolveram um novo método para estabelecer o efeito líquido da erosão de solo sobre as trocas de carbono entre a terra e a atmosfera, tendo constatado que, em paisagens sujeitas a erosão de solo, a erosão actua como um sistema que decapita, transporta superficialmente e por fim deposita (enterra) o solo nas zonas de cota inferior.

Durante este processo de transporte, para além do solo, é também transportado o carbono nele existente, sendo por isso também enterrado nessas mesmas zonas. Este “enterro” de carbono conduz a uma diminuição do mesmo na atmosfera. A equipa de investigadores calcula que esta extracção de carbono da atmosfera representa anualmente o equivalente a 1,5% das emissões de combustíveis fósseis.

Esta descoberta contraria os anteriores cálculos que indicavam a erosão como uma fonte adicional de carbono para a atmosfera, fonte essa equivalente a uma emissão liquida anual de 13% das emissões de combustíveis fósseis. A descoberta também contraria a noção de que a erosão acrescenta um diferencial de mais de 10% às emissões de combustíveis fósseis.

Existe actualmente um debate que tenta estabelecer a ligação entre a erosão provocada pela actividade agrícola e o ciclo de carbono. Por um lado, defende-se que a erosão causa níveis elevados de emissões de carbono para a atmosfera, por outro lado tais emissões acrescentavam mais de 10% às emissões de combustíveis fósseis. Esta pesquisa demonstrou claramente que nenhum dos pressupostos anteriores se verificava.

Esta nova visão sobre o efeito da erosão no ciclo do carbono é essencial para a gestão correcta da actividade agrícola. Se as avaliações prévias de que a erosão causava um nível alto de emissões de carbono para a atmosfera estivessem correctas, então o controlo da erosão poderia ter sido usado para compensar as emissões de combustíveis fósseis.

Se a avaliação de que a erosão causasse um nível de sequestro de carbono atmosférico muito grande estivesse correcta, então os benefícios ambientais do controlo de erosão teriam que ser estabelecidos contra a perda do sequestro de carbono atmosférico. Os resultados demonstram que o controlo da erosão deve ser procurado pelos seus benefícios ambientais e agronómicos e que não deveria ser utilizado para compensar emissões de combustíveis fósseis para a atmosfera.

Os investigadores utilizaram o césio-137, um resíduo no solo, proveniente de testes nucleares efectuados no 3º quarto do século passado. Este resíduo permitiu quantificar o transporte de solo associado às actividades agrícolas, podendo assim prever a erosão nas zonas onde existiu maioritariamente erosão e deposição nas zonas onde existiu maioritariamente deposição.

Comparando estas estimativas com a quantidade de carbono medido em 1400 perfis de solo, pôde-se identificar quais os perfis que promoveram o sequestro de carbono e quais os perfis que promoveram a emissão do mesmo. Foi possível também estabelecer a fracção de carbono que foi substituído nos locais de erosão, o que permitiu calcular o efeito da erosão no ciclo global do carbono.

Fonte / Escrito por: Universidade de Évora

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