Porto estuda infecções de pacientes com doença hepática alcoólica 15 Novembro
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Uma equipa da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto está a estudar formas de reduzir as infecções características da doença hepática alcoólica, que são responsáveis pela morte de cerca de um terço dos pacientes. «O objectivo é esclarecer quais os mecanismos que levam a que o sistema imunitário destes pacientes esteja mais susceptível a infecções do que os outros», disse Roberto Roncon de Albuquerque, um dos investigadores responsáveis pelo estudo.
O investigador salienta que as infecções são a segunda causa de morte entre os pacientes com doença hepática alcoólica, o que representa a morte de cerca de um terço destes doentes.
Segundo Roncon de Albuquerque, apesar de ser do conhecimento geral que o risco de infecções aumenta em indivíduos com alcoolismo, «são ainda desconhecidos os mecanismos moleculares que levam a esta susceptibilidade».
Até agora, os investigadores do Serviço de Fisiologia da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) recolheram amostras de sangue de grupos de doentes com vários níveis de doença hepática alcoólica e de outros saudáveis e isolaram as células do sistema imunitário que vão analisar em laboratório, com o objectivo de saber como é que o sistema imunitário destes doentes é afectado.
«Primeiro pretendemos conhecer os mecanismos moleculares da doença e depois, numa outra fase, chegar ao desenvolvimento de terapêuticas mais eficazes e específicas para este tipo de infecções», disse Roberto Roncon de Albuquerque, salientando que actualmente as infecções dos doentes hepáticos são tratadas como as de qualquer outro tipo de doente.
Os investigadores sugerem que o sistema imunitário destes pacientes apresenta um risco mais elevado de infecções por terem associado um aumento da permeabilidade do intestino, permitindo a passagem de mais bactérias.
«Estas bactérias fazem com que o sistema imunitário esteja constantemente a ser estimulado, acabando por ficar cansado e por entrar em falência», considera.
Se o estudo confirmar esta hipótese, as bactérias poderão ser neutralizadas por medicamentos específicos, prevenindo a imunodeficiência que caracteriza a doença.
O alcoolismo é um problema de saúde pública transversal a todos os estratos sociais, tendencialmente crescente entre os jovens.
Em Portugal não há dados fidedignos sobre as mortes causadas pelo alcoolismo, já que, «por exemplo, se um empregado da construção civil morre de uma queda por estar alcoolizado, o médico regista morte por acidente e não encara o alcoolismo como uma causa directa», salienta.
O projecto da equipa de oito elementos liderada pelos investigadores do FMUP Roberto Roncon de Albuquerque e Pedro Nunes ganhou a Bolsa Dom Manuel de Mello, atribuída pela Fundação Amélia da Silva Mello, no valor de 12.500 euros.
Lusa / SOL


