Portugal «de costas viradas» para o estudo das bactérias que combatem poluição 5 Setembro
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Uma especialista em microbiologia marinha da Universidade do Algarve lamentou hoje que Portugal esteja a «virar as costas» à investigação biotecnológica, acentuando o papel que essa tecnologia poderá ter no tratamento da poluição marítima e terrestre. Falando à Agência Lusa em Faro, no âmbito do 10º Simpósio sobre Ecologia Microbiológica Aquática, que está a decorrer desde domingo, Helena Galvão lamentou o «escassíssimo investimento» no estudo das bactérias marinhas.
«O controlo das bactérias e aplicação prática dos conhecimentos pode desintoxicar o ambiente terrestre, não nos esqueçamos que as bactérias podem até neutralizar o formol», acentuou.
A especialista destacou as propriedades resistentes das bactérias, que se encontram espalhadas por toda a terra, incluindo o gelo, as temperaturas elevadas de algumas fontes geo-termais e locais da Terra com altíssimos índices de acidez.
Em última instância, sublinhou, as bactérias podem neutralizar a acção dos pesticidas e dos poluentes marítimos e podem mesmo «despoluir a Terra toda».
«As bactérias foram os primeiros seres vivos e serão os últimos, estão na base de toda a vida na Terra e existem em todo o lado», disse, recordando que sem elas «não teríamos azoto, fósforo e carbono, elementos essenciais à vida».
Aqueles microrganismos são determinantes para a manutenção do equilíbro ecológico do meio em que vivem.
«Os oceanos são os maiores reservatórios de novas espécies e encerram um potencial enorme em termos de biotecnologia», disse a docente da Faculdade de Ciências do Mar e do Ambiente.
Frisou que as bactérias «degradam as substâncias de que necessitam», mesmo nos ambientes mais extremos em que algumas delas resistem, pelo que «encerram imensas possibilidades do ponto de vista da biotecnologia».
No simpósio, que decorre na Universidade do Algarve até sexta-feira, participam mais de 200 especialistas da área da microbiologia marinha, provenientes da Europa, EUA, Austrália, Japão, Brasil, Iraque, Irão e Kuwait.
As alterações climáticas são outra das áreas em discussão no evento, que se realiza pela primeira vez em Portugal.
Fonte: Lusa/SOL


