Investigadoras portuguesas descobrem que as bactérias adaptam-se mil vezes mais depressa Bartender 10 Agosto

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Um estudo da autoria de quatro investigadoras portuguesas, publicado na revista “Science”, conclui que as bactérias conseguem adaptar-se mil vezes mais rapidamente do que se pensava — uma descoberta que poderá ser usada para medir a capacidade de resistência a tratamentos e antibióticos.
Totalmente financiado e realizado em Portugal, o estudo utilizou uma técnica para identificar as mutações das bactérias que lhes conferem vantagens em termos da capacidade de resistência, concluindo que estes organismos “têm um potencial adaptativo extraordinariamente elevado”.

Isabel Gordo, umas das quatro investigadoras do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC), explicou que as bactérias “adaptam-se muito mais rapidamente do que até agora era admitido”.

“Pensava-se que tinham uma capacidade de adaptação mil vezes inferior ao que observámos. Este estudo é um contributo substancial para a compreensão de um problema central na teoria da evolução”, disse a investigadora.

De acordo com a responsável, as conclusões desta pesquisa “têm implicações importantes ao nível da saúde pública, nomeadamente na resistência a antibióticos e medicamentos”.

A descoberta pode “servir de alerta, pois significa que vai ser mais difícil controlar estes microorganismos do que se pensava”, sublinhou.

Descoberta com várias implicações

O estudo é também um contributo importante para as investigações relacionadas com o cancro, já que perceber o processo adaptativo dos organismos contribui também para compreender o processo de mutação e a rapidez com que ocorre nas células, explicou a cientista. Isto porque, explicou, “os princípios de adaptação das bactérias são válidos para qualquer organismo”.

“Seriam precisos cerca de 20 mil anos para tirar conclusões de um processo semelhante na espécie humana, já que o estudo analisou mil gerações de bactérias e, em humanos, cerca de 20 anos separam cada geração”, disse.

A investigação foi feita usando a E. coli, uma bactéria de laboratório que se encontra no organismo humano, tendo sido analisadas mil gerações de bactérias.

Este é o primeiro trabalho da investigadora a ser publicado na revista “Science”, motivo de enorme satisfação e orgulho para Isabel Gordo, bem como para as três colegas que consigo trabalharam neste projecto. “A ‘Science’ é tudo o que um investigador pode querer no seu currículo”, explicou.

A investigação foi realizada por Isabel Gordo, Lília Perfeito, Lisete Fernandes e Catarina Mota, do Instituto Gulbankian de Ciência, que contaram com o apoio de bolsas e contratos de investigação da Fundação para a Ciência e Tecnologia.

Esta éa quinta publicação do IGC na “Science” e nas revistas do grupo “Nature”, só em 2007.

Fonte / Escrito por: Lusa

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