Estação de monitorização de explosões nucleares na Graciosa começa a ser construída no último trimestre de 2007 Bartender 2 Agosto

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A estação de monitorização de explosões nucleares prevista para a ilha Graciosa, nos Açores, deverá começar a ser construída no último trimestre de 2007, anunciou hoje o director açoriano da Ciência e Tecnologia. João Luís Gaspar adiantou à agência Lusa que, concluídos os trabalhos exploratórios, escolhidos os terrenos e definido o modelo técnico da estação – que vai transmitir dados em tempo real para uma rede mundial – chega agora a fase de dar início à construção das infra-estruturas.

O objectivo principal da estação, segundo o responsável, será detectar e localizar situações susceptíveis de corresponder a uma explosão nuclear, um acto proibido internacionalmente, através de “equipamentos de ponta” que serão montados para o efeito.

Segundo explicou João Luís Gaspar, ficará instalada na zona central da ilha uma estação principal, que terá oito pontos de monitorização, cada um composto por um sensor, transmitindo os dados registados via satélite.

Em Julho de 2006, o Governo açoriano anunciou que a Graciosa tinha sido escolhida para acolher uma estação de monitorização de explosões nucleares, dado que, do ponto de vista geológico, possui áreas planas e uma vegetação densa, que garante a protecção dos equipamentos a instalar.

A estação açoriana vai ser integrada na rede mundial da Comprehensive Nuclear Test-Ban Treaty Organization (CTBTO), que fornece informação em tempo real para o centro internacional de dados, localizada em Viena de Áustria.

A CTBTO possui uma rede mundial com mais de 60 postos de investigação distribuídos por vários países.

Se o calendário traçado for cumprido à risca, durante o primeiro trimestre de 2008 todos os equipamentos estarão montados e começarão a ser enviados os primeiros dados para a rede mundial, disse.

Sublinhando que a localização no meio do Atlântico da Graciosa foi decisiva para a implementação do projecto, João Luís Gaspar referiu ser “prematuro” avançar com o valor global do investimento, que será suportado por estrangeiros.

“Ao Governo Regional cabe apenas, nesta fase, dar apoio logístico”, afirmou o responsável, acrescentando que, no futuro, o executivo açoriano poderá investir algum dinheiro, através da promoção de estudos científicos.

O director regional da Ciência e Tecnologia adiantou, ainda, que a estação “não necessita de uma presença humana permanente”, dado o grande automatismo dos equipamentos a instalar.

No entanto, adiantou, está a ser formada uma equipa técnica para proceder à sua manutenção.

João Luís Gaspar referiu também que a estação vai potenciar uma série de outros trabalhos científicos em áreas como a sismologia e vulcanologia, já que disponibilizará dados para o Sistema de Vigilância Sismológica dos Açores (SIVISA).

© 2007 LUSA – Agência de Notícias de Portugal, S.A.

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