Universidade de Aveiro triplicaria investigação se fossem cumpridas metas da Estratégia de Lisboa Bartender 19 Julho

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A Universidade de Aveiro, cujos projectos científicos têm sido reconhecidos pela Fundação da Ciência e Tecnologia, teria três vezes mais investimento em investigação se a Estratégia de Lisboa atingisse as metas definidas em 2000, na última presidência portuguesa da UE. O investimento em Investigação e Desenvolvimento deveria ser, de acordo com os objectivos fixados pela Estratégia de Lisboa, na ordem dos três por cento do Produto Interno Bruto(PIB), correspondendo dois por cento a investimento privado e um por cento a investimento público.

Contactado pela Lusa a propósito de uma reunião informal de ministros europeus da ciência e competitividade, que começa quinta-feira em Lisboa, no âmbito da presidência Portuguesa da UE, o vice-reitor da Universidade de Aveiro(UA) para a investigação, Francisco Vaz, considerou que “se a estratégia atingisse as metas propostas, teria resultados fantásticos” naquela instituição.

“A Universidade de Aveiro, com a mesma taxa de êxito, teria três vezes mais dinheiro disponível para concorrer com projectos de investigação”, afirmou.

O vice-reitor da UA reconheceu que a Estratégia de Lisboa “não progrediu significativamente”, mas salientou que “não é só culpa nacional, e se há alguns países que se aproximaram dos objectivos, a média europeia ficou bastante aquém”.

“Estamos ainda muito longe dessas metas, pois a realidade portuguesa fica-se pelos 0,8 por cento, dos quais 0,6 por cento são investimento público”, disse.

“No que respeita a Portugal, a maior aposta ainda tem sido do Estado e tenho de reconhecer que, com o actual Governo, tem havido um esforço real num maior investimento em investigação, para cumprir a estratégia, mas mesmo assim, ainda distante dessas metas. Está-se a começar a ver agora algum resultado prático”, comentou.

No que respeita à Universidade de Aveiro a parte contratualizada de investigação tem crescido, mas segundo o vice-reitor “com grandes flutuações”.

Ainda assim, “no último ano e meio a situação tem melhorado”, admitiu.

“O nosso principal financiador continua a ser o Estado, mas tem havido variações de uns anos para outros. Por exemplo: em 2006 apresentámos 530 propostas à FCT porque em 2005 não houve candidaturas”, exemplificou.

Outra fonte importante de financiamento são os programas europeus, mas também aí houve “alguma descontinuidade” devido à transição entre quadros comunitários de apoio.

O responsável académico salientou que “desde que há avaliações das unidades de investigação, a maioria dos projectos apresentados pela Universidade de Aveiro tem tido a classificação de muito bom ou excelente e, em quatro casos, levaram à sua transformação em laboratórios associados”.

Estas avaliações são da responsabilidade da Fundação para a Ciência e Tecnologia e são realizadas por painéis de pelo menos três peritos independentes, nacionais e estrangeiros, constituídos para cada concurso, por área científica.

Para Francisco Vaz as classificações obtidas permitem concluir que as políticas internas de investigação foram boas, sendo de prosseguir nesse investimento.

Explicou o sucesso da investigação universitária que é feita em Aveiro com duas apostas continuadas: o investimento em grandes equipamentos e a aposta em atrair investigadores de todo o mundo.

No que respeita aos equipamentos, os grandes investimentos à custa do Orçamento de Estado foram feitos sobretudo na década de 90 e “são cada vez mais difíceis por dificuldades orçamentais”, mas a Universidade de Aveiro tem prosseguido essa linha, reservando-lhe verbas próprias, porque a considera essencial para manter a competitividade.

A aposta nas pessoas tem sido outra das prioridades: o orçamento da Universidade suporta cerca de 40 bolsas de doutoramento anuais.

Esse esforço tem uma condição multiplicadora. Ao fim de um ano os beneficiados são obrigados a concorrer a bolsas da FCT, o que significa que essas verbas são libertas para contratar mais investigadores.

O modelo permitiu à Universidade de Aveiro duplicar, em três anos, o número de investigadores em doutoramento e acaba por fomentar a contratação “dos melhores”, em termos nacionais e internacionais.

Quanto a estes últimos tem uma dupla vantagem: abre à Universidade a possibilidade de ter “investigadores estrangeiros à experiência, para ver se são realmente bons”, e aos próprios a oportunidade de ter um ano de residência em Portugal, que é condição para se candidatarem às bolsas da FCT, trabalhando em investigação.

Por essa via, o campus universitário tem vindo a acolher gente dos quatro cantos do mundo: da Europa, nomeadamente alemães, italianos e franceses, mas também dos países de Leste, hoje plenamente integrados, da América do Sul e da Ásia, de onde provêm sobretudo investigadores chineses e indianos.

“A pressão para vir para a Europa é tão grande, que todos os dias recebemos currículos, para os quais temos tido o cuidado de olhar”, esclareceu o vice-reitor.

Francisco Vaz concluiu que tem valido a pena: “No meio de muita banalidade, há pessoas de muito valor”.

Lusa/Fim

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