Investigações sobre envelhecimento e cancro ganham Prémio Príncipe de Astúria 21 Junho
Comments Off
As investigações na área do envelhecimento e cancro foram hoje distinguidas com prémio Príncipe de Astúrias de Investigação Científica e Técnica 2007.
As investigações na área do envelhecimento e dos processos associados ao desenvolvimento das células cancerígenas foram realizadas pelos biólogos Peter Lawrence e Ginés Morata.
O júri do prémio, que tem um valor de 50 mil euros, destacou que as investigações dos dois cientistas levaram à descoberta de aspectos importantes de fenómenos relacionados com a regeneração dos órgãos e dos tecidos e sobre a chamada «apoptosis» (morte celular programada), «essenciais para abordar questões como o envelhecimento e o cancro».
Por outro lado, o júri destacou que as investigações de Lawrence e Morata foram essenciais para conhecer «alguns pormenores do processo de formação de organismos complexos».
Os dois cientistas, que colaboram há mais de 30 anos, têm-se dedicado, entre outros aspectos, ao estudo da função de alguns genes e da formação das linhagens de células que dão origem a órgãos complexos como os olhos.
O britânico Peter Lawrence, de 62 anos, é desde 1969 membro permanente da equipa de cientistas do laboratório de Biologia Molecular da Universidade de Cambridge, Reino Unido, sendo considerado uma sumidade na área da biologia do desenvolvimento.
São especialmente conhecidos e prestigiados os seus trabalhos sobre o desenvolvimento genético da mosca «Drosophila melanogaster», que partilha 60 por cento do seu genoma com o de todas as espécies animais, incluindo o Homem.
O estudo destes genes partilhados constitui o eixo fundamental da investigação de doenças humanas com forte componente genética.
«O propósito da ciência não é necessariamente publicar coisas nos jornais ou transformarmo-nos em pessoas famosas. Trata-se de investigar a natureza. E quanto mais sabemos sobre a natureza, mais podemos fazer para ajudar a prevenir doenças. Mas o nosso primeiro propósito é entender o mundo», disse hoje Lawrence, citado pela agência espanhola EFE.
O biólogo espanhol Ginés Morata, de 62 anos, professor no Centro de Biologia Molecular do Conselho Superior de Investigações Científicas de Madrid, é também especialista em genética do desenvolvimento e no estudo da mosca «Drosophila melanogaster».
«Se pensarmos que entre 60 a 70 por cento dos genes desta mosca são comuns aos humanos, pode estudar-se [através do insecto] a biologia humana» e perceber como se organiza o corpo humano, disse hoje à EFE o cientista espanhol.
Os prémios Príncipe de Astúrias, concedidos pela primeira vez em 1981, distinguem todos os anos trabalhos internacionais desenvolvidos por pessoas ou instituições nas áreas da investigação científica e técnica, da cultura e do trabalho social e humanitário.
Em anos anteriores, o prémio de investigação científica e técnica foi atribuído cientistas como a norte-americana Jane Goodall ou o português António Damásio.
Outros dois prémios deste ano foram já revelados: o de Cooperação Internacional foi concedido ao ex-vice-presidente norte-americano Al Gore e o das artes foi para o cantor Bob Dylan.
A cerimónia de entrega dos galardões terá lugar em Novembro, em Oviedo, a capital das Astúrias.
Fonte / Escrito por: Lusa —- SOL


