Aumento do orçamento e reforma dos laboratórios agitaram a ciência em 2006 27 Dezembro
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A reforma dos Laboratórios do Estado e o aument o do orçamento para a Ciência, quando houve cortes em todos os outros ministério s, foram os dois assuntos que mais agitaram o sector este ano. No início de Outubro, o primeiro-ministro, José Sócrates, anunciou que no Orçamento de Estado para 2007 se iriam registar “cortes no funcionamento de t odos os ministérios”, à excepção do Ministério da Ciência.
A proposta de orçamento entretanto apresentada a 16 de Outubro veio rev elar um aumento de 7,9 por cento na despesa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES), muito acima da inflação prevista para 2007.
Este crescimento regista-se sobretudo nas despesas de investimento da F undação para a Ciência e Tecnologia e na UMIC-Agência para a Sociedade do Conhec imento, indo ao encontro da prioridade expressa e reiterada várias vezes ao long o do ano pelo Governo de reforçar o investimento em Ciência e Tecnologia.
Contudo, este foi também um ano de protestos dos bolseiros de investiga ção, que se manifestaram várias vezes contra a diminuição do valor real dos mont antes das bolsas, os atrasos nos pagamentos, a falta de protecção social e a dif ícil inserção profissional.
A Associação de Bolseiros de Investigação Científica considerou mesmo q ue a situação por eles vivida é “o mais cabal desmentido das sucessivas declaraç ões de aposta na ciência”.
Marcante e polémica este ano foi também a proposta de reforma dos Labor atórios do Estado, que conduzirá à extinção e reestruturação de cinco organismos e à criação de dois.
Foi decidida a extinção do Instituto Nacional de Engenharia, Tecnologia e Inovação (INETI), do Instituto Nacional de Investigação Agrária, das Pescas e do Mar (INIAP), do Laboratório Nacional de Investigação Veterinária (LNIV), do Instituto de Genética Médica Doutor Jacinto de Magalhães (IGM-JM) e da Direcção- Geral da Protecção das Culturas (DGPC).
Ao abrigo da mesma reestruturação será criado o Instituto Nacional de R ecursos Biológicos (INRB) e o Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG).
O Instituto de Medicina Legal (IML) passa a ter o estatuto de laboratór io do Estado.
Os acordos celebrados com o MIT (Instituto de Tecnologia de Massachuset ts) e a CMU (Universidade de Carnegie Mellon) marcaram também o ano na Ciência, com a perspectiva de parcerias internacionais que envolvem centros de investigaç ão e laboratórios associados e estatais.
No entanto, os bolseiros de investigação manifestaram-se mais uma vez p reocupados com a possibilidade de estas parcerias poderem levar ao aumento do nú mero de jovens investigadores que “fogem” para o estrangeiro.
Conscientes de que estas parcerias levarão a um crescimento do número d e investigadores qualificados, os bolseiros mostraram-se receosos com o facto de não terem sido anunciadas pelo Governo medidas paralelas com vista à criação de emprego científico em Portugal.
Agência LUSA


