Progestrona pode contribuir para progressão do cancro da mama 12 Dezembro
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Três investigadoras da Universidade do Porto concluíram que a hormona sexual feminina progesterona parece contribuir para a progressão do cancro da mama por estimular a sua irrigação, através da formação de novos vasos.
A descoberta, publicada na edição electrónica da revista norte-americana “Journal of Cellular Biochemistry”, poderá contribuir para uma melhor compreensão da doença e para o desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas.
Raquel Soares e Susana Guerreiro, do Departamento de Bioquímica da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, e Mónica Botelho, do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da mesma universidade (Ipatimup), observaram que as células cancerosas, ao serem expostas à progesterona, produzem uma proteína que estimula a divisão celular.
Constataram também que essa proteína (PDGF-A) não parece agir directamente sobre as células tumorais mas sobre o espaço que as rodeia, numa indicação de que terá efeitos sobre as células circundantes.
Devido à interacção entre as células tumorais e ao facto de o seu ambiente ser crucial para a progressão do cancro — e sabendo-se que esta proteína está fortemente envolvida na formação de novos vasos sanguíneos (angiogénese) —, as cientistas analisaram células musculares implicadas no processo.
Da análise resultou a conclusão de que a PDGF-A — e portanto a progesterona — aumenta o crescimento e a viabilidade das células musculares lisas, numa confirmação do papel de ambas as moléculas no estímulo à angiogénese.
Com base nestas observações, as investigadoras concluíram que a progesterona estimula o desenvolvimento do cancro ao contribuir para a formação e estabilidade dos vasos sanguíneos formados junto às células tumorais.
“Além de cruciais para o fornecimento de nutrientes às células cancerosas, estes novos vasos servem de meio de disseminação destas células pelo organismo”, explicou à agência Lusa Raquel Soares, a autora responsável pelo estudo.
O estudo explica que as terapias anti-progesterona bloqueiam a progressão do cancro ao agirem tanto contra as células cancerosas dependentes de progesterona quanto contra a formação de novos vasos sanguíneos.
FONTE: Lusa, Público


