Investigação da UA na área das nanotecnologias recebe Estímulo à Investigação Bartender 6 Dezembro

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Sérgio Manuel de Sousa Pereira, investigador no Laboratório Associado da UA CICECO, acaba de ser distinguido pela Fundação Calouste Gulbenkian com o «Estímulo à Investigação 2006».
Um incentivo financeiro de 12.500 euros para desenvolver a sua investigação em torno da «Integração e manipulação à nanoescala de nanocristais coloidais em heteroestruturas epitaxiais de baixa dimensionalidade opticamente activas».

Criar e investigar novas nanoestruturas multifuncionais que abrirão uma porta para uma melhor compreensão das unidades basilares de construção nano-tecnológica é o intuito da investigação do Doutor Sérgio Pereira. Juntamente com a equipa do CICECO/UA, e com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, o investigador espera dar um contributo para a área da Física da Matéria Condensada com implicações directas nas nanociências e nanotecnologias.

Um dos principais objectivos do projecto premiado é a manipulação à escala nanométrica (1 nm= 0,000000001 m) de nanocristais coloidais que podem ser óptica, magnética ou biologicamente activos, na superfície de filmes ultrafinos epitaxiais. Nos últimos anos, devido ao seu enorme potencial científico e tecnológico, tem-se assistido a um rápido desenvolvimento na síntese e caracterização de diversos tipos nanocristais em que os portadores de carga (electrões e lacunas) estão confinados em três dimensões. Estes pontos quânticos possuem propriedades novas e fascinantes que só se verificam à escala nano. Actualmente já se consegue produzir nanocristais com características bem controladas tais como o tamanho, a forma e a estrutura cristalina. No entanto, como estas nanopartículas são extremamente pequenas (~1-30 nm), torna-se muito difícil investigá-las individualmente. Tipicamente o que se examina são conjuntos de muitos milhões destas estruturas mesoscópicas, o que naturalmente dificulta a sua caracterização e compreensão, visto que algumas das suas propriedades intrínsecas se esvanecem. Assim um dos desafios que se coloca nesta área, e que se propõe ultrapassar com este trabalho, é a possibilidade de manipular e isolar nanopartículas de forma a poder estudá-las individualmente, ou em grupos pequenos.

O conceito inovador proposto para confinar espacialmente e isolar as nanoparticulas é relativamente simples: pretende-se tirar partido das características morfológicas peculiares de filmes epitaxiais ultrafinas, que em determinadas condições de crescimento desenvolvem espontaneamente um defeito em forma de prisma hexagonal invertido (Nano-Pit) na sua superfície, com dimensões na ordem de 10-50 nm. Ou seja, obtém-se numa superfície muito lisa uma determinada densidade de Nano-Pits dispersos cujo tamanho, profundidade e densidade conseguimos controlar. Estes nano-pits vão funcionar como uma espécie de “armadilha” para capturar os nanocristais que entram em contacto com a superfície através duma suspensão coloidal.

Sérgio Pereira, 30 anos, é Investigador Auxiliar no CICECO (Centro de Investigação em Materiais Cerâmicos e Compósitos) laboratório associado da Universidade de Aveiro. Com um Pós-Doutoramento na área da Física da Matéria Condensada obtido como bolseiro da FCT, a desenvolver trabalho no Instituto Tecnológico Nuclear em Sacavém e no departamento de Física da UA, o investigador fez o seu doutoramento em parceria com a Universidade de Strathclyde em Glasgow no R.U., e licenciou-se em Engenharia Física na UA.

As suas actividades de investigação têm estado essencialmente centradas na área da Física do Estado Sólido aplicada, nomeadamente no desenvolvimento de materiais semicondutores nanoestruturados com aplicações na optoelectrónica. Grande parte das suas publicações está relacionada com propriedades nanoestruturais e ópticas de filmes ultra-finos e heteroestruturas quânticas. Actualmente, encontra-se a desenvolver investigação em parceria com alguns dos melhores grupos a nível mundial nas áreas da nanociência e nanotecnologia.

A dedicação e empenho que coloca no seu trabalho foram já reconhecidos com vários prémios e nível nacional e internacional e duas bolsas de mérito.

De salientar que a Fundação Calouste Gulbenkian instituiu o Programa Gulbenkian de Estímulo à Investigação com o objectivo de estimular entre os jovens a criatividade e a qualidade na actividade de investigação. Este Programa distingue, anualmente, propostas de investigação de grande qualidade em áreas científicas de elevado potencial e, simultaneamente, apoiará as condições da sua execução durante o ano subsequente, em Centros de Investigação portugueses. Aos concorrentes seleccionados pelo Programa Gulbenkian de Estímulo à Investigação é atribuído um incentivo financeiro total de 12.500 euros, repartido em duas parcelas: 2.500 euros para o investigador e 10.000 euros para a Instituição de acolhimento suportar os encargos com a execução da investigação durante o ano subsequente.
FONTE: ua_online

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