Defendida mais investigação clínica e formação científica 6 Dezembro
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O director do Instituto Gulbenkian de Ciência preconizou hoje um maior investimento na investigação clínica e na formação científica dos médicos, para colmatar o actual défice entre a evolução da biomedecina e a prática clínica.
“Sem boa investigação clínica, não há boa prática clínica”, afirmou Antóni o Coutinho na conferência “A Medicina e os Sinais dos Tempos”, que hoje assinala os 50 anos do Serviço de Saúde da Fundação Calouste Gulbenkian.
“Com a vertiginosa evolução do conhecimento, é urgente refundar a educação médica e criar condições para a formação de cada vez mais cientistas médicos”, afirmou este investigador, doutorado em Microbiologia Médica pelo Instituto Karo linska de Estocolmo.
E isso porque a medicina evoluiu de uma tecnologia de base empírica, virad a para o diagnóstico e o tratamento, para uma tecnologia de base científica, ori entada para “prever e prevenir” as doenças.
Todavia, “o futuro da medicina não é a medicina molecular ou celular”, por que apesar dos progressos da biologia, “o doente não é uma molécula, ou um saco de moléculas, é um organismo”, e “as doenças são cada vez mais orgânicas” – cons iderou. Na sua perspectiva, “o médico do futuro” deverá ser “um integrador dos con hecimentos com a sua própria humanidade”, ou, em síntese, “um especialista da co mplexidade”.
Mas para que existam condições para isso, “são necessários mais médicos pa ra a ciência e mais ciência para os médicos”.
Cientista e investigador premiado internacionalmente, António Coutinho sur ge no ranking do “Science Citation Index” como um dos 100 cientistas mais influe ntes no mundo ao longo dos últimos 20 anos. Esta conferência, sobre “Investigação Médica e Prática Clínica”, foi prece dida por um documentário cinematográfico de Madalena Miranda, com testemunhos da história do Serviço de Saúde da FCG, e seguida por um debate sobre “Gerações e Mudanças na Medicina”.
No âmbito do evento foi inaugurada uma exposição intitulada “Ao Serviço da Saúde”, que aborda as principais intervenções da Fundação desde os anos 60 até ao presente – nas áreas da prevenção, formação e investigação e modernização tec nológica – e assinala ao mesmo tempo a evolução da Medicina portuguesa.
Agência LUSA


