Investigador português recebe Prémio Crioestaminal em Investigação Biomédica 20 Novembro
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O Prémio Crioestaminal em Investigação Biomédica deste ano vai distinguir o investigador Hélder Maia pelo seu contributo para o combate ao cancro a partir de técnicas inovadoras de microcirurgia laser aplicadas ao estudo da divisão celular.
“Pretendo assim dar um contributo para a investigação das causas e futuro tratamento do cancro”, disse hoje Hélder Maiato, investigador no Instituto de Biologia Molecular e Celular (IBMC), do Porto.
O Prémio Crioestaminal em Investigação Biomédica é instituído pela associação Ciência Viva.
O objectivo de Hélder Maiato é identificar as moléculas que contribuem para a formação e função do aparelho mitótico, responsável pelo movimento dos cromossomas, e investigar as respectivas implicações para a aneuploidia (perda ou ganho de cromossomas) e o cancro, de acordo com um resumo do projecto a que a agência Lusa teve acesso.
Pretende-se igualmente aplicar a tecnologia de microcirurgia laser para o estudo in vivo da divisão celular.
Esta microcirurgia permite resolver questões fundamentais sobre a divisão celular que não podem ser respondidas através de outra forma.
“Representa um grande avanço tecnológico, especialmente quando combinada com outras ferramentas de biologia molecular moderna, e tem contribuído para a compreensão de vários processos de divisão celular, como o movimento dos cromossomas, a origem do aparelho mitótico e o mecanismo que controla a progressão da mitose”, frisa o investigador.
Permite ainda identificar as moléculas-chave no processo do movimento de cromossomas, “na certeza” de que compreender como funcionam “poderá estar na base de novos tratamentos para combater o cancro”, defende Hélder Maiato.
“Ao identificar as moléculas envolvidas na formação e função do aparelho mitótico responsáveis pelo movimento dos cromossomas, poder-se-á clarificar a base molecular da instabilidade cromossomal presente na grande maioria dos cancros”, acrescenta o investigador.
Sustenta ainda que “eventualmente podem obter-se novas possibilidades terapêuticas, visto que a interferência com a função do aparelho mitótico irá naturalmente impedir a proliferação de tecidos que se dividem continuamente”.
A principal vantagem científica deste projecto é, segundo Hélder Maiato, “a introdução de uma nova estratégia de investigação num campo altamente competitivo, sobretudo porque as questões realmente relevantes que podem ser solucionadas com as ferramentas experimentais actualmente disponíveis são limitadas”.
É possível, com este projecto, alargar significativamente este cenário combinando técnicas avançadas de visualização das células vivas e da abordagem molecular já disponível, com a tecnologia laser mais inovadora do momento, detalha o investigador.
Designado “Dissecção da Divisão Celular e Aneuploidia através de Microcirurgia Laser em Células Vivas “, o trabalho foi escolhido entre as 58 candidaturas por um júri de especialistas oriundos de dez países, incluindo o britânico Martin Raff, do University College of London.
Martin Raff participará esta quinta-feira na cerimónia, tal como o presidente da Fundação para a Ciência e Tecnologia, João Sentieiro, e o director do IBMC do Porto, Alexandre Quintanilha.
Segundo a entidade promotora, o Prémio Crioestaminal em Investigação Biomédica visa “incentivar o desenvolvimento da investigação de excelência” em Portugal.
No ano passado a distinção recaiu num projecto de investigação sobre a doença de Machado-Joseph, uma rara patologia neuro-degenerativa, hereditária e fatal, que tem especial prevalência na ilha açoriana das Flores, afectando um em cada 120 habitantes.
FONTE: Agência Lusa


