Situação das espécies pescadas em Portugal requer atenção 13 Novembro
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A situação das espécies pescadas pelo homem em Portugal não é dramática, “mas há motivos para preocupação”, afirma Jorge Gonçalves, investigador do Centro de Ciências do Mar. Segundo um estudo recente de investigadores americanos sobre a biodiver sidade nos oceanos, todas as espécies selvagens actualmente pescadas terão entra do em colapso em 2050.
Neste contexto, o termo “colapso” significa que terão desaparecido 90 p or cento dos exemplares de cada uma das espécies que o homem captura mas Jorge G onçalves é mais optimista em relação ao futuro.
Para o investigador do Centro de Ciências do Mar, estrutura integrada n a Universidade do Algarve, as conclusões do estudo podem não reflectir exactamen te “o que se passa em Portugal ou até mesmo no mundo”, embora sejam um alerta.
“Em Portugal não temos espécies na designada situação de colapso mas ex istem algumas que estão ameaçadas”, revelou o investigador à agência Lusa.
De acordo com Jorge Gonçalves, “o lagostim e a pescada são dois casos i lustrativos e a situação actual das suas populações resulta, em parte, de prátic as de captura excessivas ou inadequadas”.
Na opinião do especialista, “a natureza tem formas de repor o equilíbri o quando ocorre a redução de uma espécie, mas o ecossistema dessa espécie fica i nevitavelmente mais pobre”.
“A gestão do esforço de pesca e a selectividade das artes de pesca, nom eadamente no que se refere à malha das redes” são – para o investigador do Centr o de Ciências do Mar – dois factores a ter em conta se se quiser preservar as es pécies marinhas que o homem captura.
O alerta de que as espécies selvagens pescadas pelo homem podem estar e m colapso, dentro de menos de meio século, foi feito pela revista “Science” na s emana passada, com a publicação dos resultados de um estudo dirigido por Boris W orm, do Departamento de Biologia da Universidade Dalhousie, no Canadá.
A investigação, que reuniu académicos canadianos e dos EUA, assinala ai nda que, com a perda da biodiversidade oceânica estão a surgir outros problemas, caso da redução do potencial de recuperação, estabilidade e qualidade da água.
Além disso, os oceanos perdem também a sua capacidade para resistir à p oluição e ao aquecimento global.
Para chegarem a estas conclusões, os investigadores analisaram os resul tados de 32 experiências, fundamentaram-se em observações realizadas em 48 áreas marinhas protegidas e tiveram em conta as capturas globais de peixes e invertebrados marinhos entre 1950 e 2003.
Os autores do estudo afirmaram que ainda é possível resolver o problema mas lamentaram que, actualmente, apenas um por cento dos oceanos esteja efectivamente protegido.
Agência LUSA


