Emprego científico rema contra a maré… Bartender 4 Novembro

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Ao que parece esta segunda-feira, dia 30 de Outubro de 2006, houve uma manifestação de bolseiros intitulada “cientistas nas lonas” e para Novembro está a ser organizada uma feira de emprego científico. Reparem, eu repito: “Emprego Cientifico”! Quando ninguém sabe o que fazer com um doutorado/mestrado numa empresa, torna-se ainda mais complicada a tarefa de fazer entender o porquê de pagar mais a uma pessoa com mais habilitações, num panorama em que se oferece cada vez menos condições/regalias aos contratados. Ao que parece esta segunda-feira, dia 30 de Outubro de 2006, houve uma manifestação de bolseiros intitulada “cientistas nas lonas” em frente à Assembleia da República. Por mais estranho que possa parecer não existe, em toda a Internet, uma única notícia com os resultados desta acção. Aquela típica notícia “…hoje não-sei-quantos bolseiros gritaram …blá, blá, blá…” não existe! Existem sim algumas notícias a anunciar o evento mas nunca em “locais” de grande tiragem! O que no fundo faz algum sentido, já que a maioria do nosso Portugal desconhece esta classe profissional. Ou talvez os jornalistas não tenham entendido de que se poderiam queixar os “profissionais” de um Ministério que não irá ter cortes orçamentais. Ou ainda porque ninguém se lembrou que isto era uma excelente machadada na bandeira tecnológica de Sócrates! Mas enfim, o pessoal é jovem e insiste na questão. Em Novembro a Associação dos Bolseiros de Investigação Científica (ABIC) vai organizar uma feira de emprego científico (http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=9494&op=all). Reparem, eu repito: “Emprego cientifico”! Não só emprego no seu real sentido da palavra é uma actividade em vias de extinção – o que a maioria dos portugueses tem é um trabalho mais e/ou menos temporário – assim como ciência também não é uma coisa que se pense que exista em Portugal – “Nós cá somos bons é no móvel, calçado e têxtil!”.

Talvez estejamos entusiasmados com as recentes luzes da comunicação social que têm atingido a ciência portuguesa:

1. Propaganda de Sócrates pró inovação e tecnologia em Portugal.

2. “Reportagem SIC – Doutores e desempregados” – (http://sic.sapo.pt/online/noticias/sic+tv/reportagem+sicvisao/20060921+Doutores+e+desempregados.htm).

3. Notícia de que o Ministério da Ciência e Tecnologia não iria sofre cortes orçamentais.

4. Joana Amaral Dias aparece no “Grandes Portugueses” como Investigadora (mostrando assim que existem!).

No entanto, os anúncios dos jornais não nos deixam esquecer a realidade empresarial portuguesa. Já não se oferece aos candidatos a comerciais carro, telemóvel e portátil, antes pelo contrário, exige-se! Já não negoceiam salários baixos com estagiários, querem-nos de graça! Até num anúncio excepcionalmente raro como este – “A (…), procura um Doutor ou um Mestre que nos demonstre, com ideias originais e numa relação de excelência no custo/beneficio, que existem novas formas de comunicar os nossos produtos.(…)”, (expressoemprego, 30/09/2006) – a ignorância dos empregadores é visível.Aquilo que poderá ser exemplo de um passo em frente na empregabilidade de quadros altamente qualificados, acaba por mostrar que no fundo ninguém sabe o que fazer com um doutorado/mestrado numa empresa, tornando ainda mais complicada a tarefa de fazer entender o porquê de pagar mais a uma pessoa com mais qualificações, num panorama em que se oferece cada vez menos condições/regalias aos contratados.

Para completar este quadro de ambiguidades entre ambições e realidade, os centros de emprego exibem escandalosos placares de oferta de emprego repletos de anúncios onde na sua grande maioria a escolaridade exigida é o 9º ano, enquanto se publicita a qualificação superior e o não abandono escolar!

Resumindo, a ciência é bandeira de Sócrates mas os bolseiros não tem direito de antena e instiga-se ao emprego qualificado quando ninguém sabe o que fazer com ele! Perante tamanho desfasamento, consola-nos a mente a sabedoria popular “água mole em pedra dura tanto moí até que fora!” ou para os mais eruditos “tudo vale a pena quando a alma não é pequena”. Venha dai o emprego científico!

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