Desenvolvimento científico em Portugal passou pela FCCN Bartender 23 Outubro

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O ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Mariano Gago, afirmou hoje que, nos últimos 20 anos, praticamente todo o desenvolvimento científico em Portugal passou pela Fundação para a Computação Científica Nacional (FCCN). Falando na abertura da conferência “Chegar ao futuro em primeiro”, que marca o início das comemorações do 20 aniversário da FCCN, o ministro destacou que a fundação tem um papel muito importante na comunidade científica e técnica e é “uma placa giratória” na colaboração entre empresas, universidades e centros de investigação.

Mariano Gago salientou que durante a presidência portuguesa da União Europeia (UE), uma das batalhas mais difíceis foi manter o projecto GÉANT (rede europeia de comunicações de alta capacidade para uso de instituições de investigação e ensino), de que a FCCN faz parte.

O governante disse que havia a ideia de que a GÉANT era uma rede do passado que não fazia sentido manter num contexto de liberalização das telecomunicações, mas provou-se a importância do desenvolvimento de redes desta natureza.

Mariano Gago considerou que a FCCN é uma organização com futuro e mercê de um contrato de confiança, de renovação e de reforço da sua estrutura.

O presidente da FCCN, Pedro Veiga, recordou que a fundação foi criada como Fundação para o Desenvolvimento dos Meios Nacionais de Cálculo Científico, que espelhava o objectivo inicial de disponibilizar meios de computação intensiva aos investigadores portugueses.

Em 1995 passou a denominar-se Fundação para a Computação Científica Nacional e a gerir a rede de comunicações de alta capacidade que liga instituições de ensino e investigação, recordou.

Pedro Veiga afirmou que actual Rede Ciência, Tecnologia e Sociedade (RCTS) tem 400 quilómetros de fibra óptica com velocidades de transmissão de 10 gigabits por segundo (Gbps), ligando Lisboa a Braga e “é em 2006 uma rede bastante avançada”.

A FCCN, que há 15 anos tem a gestão dos domínios Internet .pt e .com.pt, ultrapassou no Verão os 100 mil domínios, objectivo definido para o fim de 2006, e tem já cerca de 110 mil domínios Internet sob gestão, adiantou o presidente da fundação.

Vasilis Maglaris, presidente da entidade que gere o projecto GÉANT e professor da Universidade Técnica de Atenas, afirmou que a rede GÉANT 2 interliga 34 redes nacionais de investigação e educação, liga mais de 3.500 instituições europeias entre si e serve milhões de utilizadores.

Maglaris observou que a rede tem razões tecnológicas, nomeadamente satisfazer a forte procura de iniciativas científicas e sociais, de criar uma cultura comum europeia de investigação e ensino, investigação em colaboração e ensino por Internet.

Acrescentou que aquela rede internacional tem também razões económicas, permitindo a consolidação e controlo de despesas públicas, promoção da sociedade de informação e estímulo a desenvolvimentos tecnológicos e do mercado de telecomunicações.

O presidente da UMIC – Agência para a Sociedade do Conmhecimento, Luís Magalhães, salientou que com a evolução tecnológica e a maior acessibilidade da tecnologia foram sendo oferecidas altas capacidades de computação e de meios de cálculo que eram o objectivo inicial da FCCN.

O presidente da UMIC disse que o percurso da FCCN foi de mudanças significativas e o seu futuro será também de desafios e mudanças.

Luís Magalhães sublinhou que em Portugal há poucas pessoas preparadas para entrar na gestão de serviços avançados de banda larga, que já existem em Estocolmo, na Coreia e noutros locais, e a FCCN pode ter um papel determinante, nomeadamente ensaiando esses serviços avançados na sua rede.

No final da sessão de abertura, a FCCT, o Instituto de Telecomunicações e a Siemens Networks assinaram um acordo de cooperação que permite à Siemens usufruir da infra-estrutura de fibra óptica da RCTS, exclusivamente para fins de investigação e desenvolvimento.

Segundo as entidades subscritoras do acordo, o acesso da Siemens portuguesa à RCTS vai-lhe permitir testar protótipos de sistemas de comunicações avançadas, desenvolver e testar tecnologias emergentes, testar novos equipamentos, desenvolver novas metodologias de trabalho e participar em projectos de demonstração, nacionais e internacionais.

Agência LUSA

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