Greenpeace vai descer o Guadiana para mostrar ameaças ao rio ibérico 18 Outubro
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A poluição, a invasão de espécies exóticas, os transvazes e as barragens transformaram o Guadiana num rio ameaçado. Entre 20 e 28 de Outubro, a Greenpeace vai viajar da nascente até à foz para denunciar e apelar à recuperação do rio.
A viagem começa nos Ojos del Guadiana, onde o rio foi buscar o nome. No entanto, há mais de 20 anos que o rio deixou de nascer ali. “As primeiras águas que hoje recebe são do rio Bullaque, a mais de 120 quilómetros de distância”, denuncia a organização ecologista em comunicado. Para a Greenpeace, “o verdadeiro nome do rio seria Bullaque”.
Mas esta não é a única coisa que mudou naquele que é um dos maiores rios ibéricos. A expedição que lança um estudo de profundidade das bacias hidrográficas peninsulares, a realizar pela Greenpeace, vai denunciar os problemas específicos de cada troço do rio. Vai visitar povoações ribeirinhas e registar o que está diferente. A água que deixou de passar por debaixo de uma ponte, a invasão de espécies exóticas como o mexilhão-zebra, o jacinto de água ou o lagostim-do-Louisiana e ainda os cheiros e cores diferentes que a água passou a assumir.
Ao longo dos dias, de carro e de barco, a viagem, chamada “Dá Vida ao Rio”, vai levar os ecologistas a locais que foram captados há anos pela objectiva de uma câmara fotográfica. Agora querem ver com os próprios olhos o que mudou.
Em alguns troços, a Greenpeace vai recolher amostras à água, preocupada com uma das maiores ameaças ao rio, a poluição. “Em breve, as águas deste rio tornar-se-ão inutilizáveis, tanto para abastecimento, como para rega ou para usos industriais”, escreve nas vésperas da partida.
O transvaze Tejo-Guadiana, que transportará água entre as bacias hidrográficas dos dois rios, é uma das denúncias da Greenpeace. A obra “servirá para alimentar a especulação e fornecer água aos novos complexos urbanísticos e campos de golfe, como aconteceu em Murça e Valência”.
A Greenpeace tem palavras ainda para a barragem de Alqueva e para as canalizações, túneis e barragens de contra-embalse previstas. Os 110 mil hectares de regadio que iriam beneficiar de Alqueva não estão a ser explorados e “provavelmente nunca chegarão a estar”. O preço da água, o transvaze para o Sado e os planos de ordenamento do território fazem parte da lista de ameaças.
Julio Barea, responsável pela Campanha da Água da Greenpeace, diz que “é urgente tomar medidas para recuperar o Guadiana”. O problema não é a falta de instrumentos para o fazer, mais concretamente a Directiva Quadro da Água, que as administrações implicadas na gestão da água já têm – “O problema é que não cumprem nem fazem cumprir a lei”.
FONTE: Público


