Prémio Citomed para investigadora que descobriu a forma de adiar a decisão de uma célula 12 Outubro
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Leonor Sarmento, 33 anos, actualmente investigadora no Instituto Gulbenkian de
Ciências, é a vencedora do Prémio Citomed de Investigação em Imunologia. Este
prémio, uma iniciativa conjunta da Associação Viver a Ciência, da Sociedade
Portuguesa de Imunologia e da empresa Citomed será entregue durante a XXXII
Reunião Anual da Sociedade Portuguesa de Imunologia em Braga.
O resultado da investigação que desenvolveu entre os Estados Unidos (Center of
Regenerative Medicine and Technology, de Harvard) e Lisboa (Instituto de
Medicina Molecular) publicado no Journal of experimental Medicine sob a forma
do artigo “Notch1 modulates timing of G1-S progression by inducing SKP2
transcription and p27Kip1 degradation”, é agora distinguido com o Prémio
Citomed, entre 17 artigos submetidos a concurso.
Leonor Sarmento interessou-se pela relação entre o ciclo celular (nomeadamente
os mecanismos de diferenciação e especialização das células) e as origens e
dinâmicas de tumores. Afinal, se a divisão celular descontrolada está na
génese dos cancros, a activação ou inibição desse processo, num momento
preciso de decisão, poderá fazer toda a diferença, em termos de
desenvolvimento ou não da doença. Da mesma forma, seria possível manter por
mais tempo a capacidade pluripotencial das células estaminais – isto é, a
possibilidade de se especializarem em células de determinado tecido. Uma via
importante quando pensamos em transplantes para fins terapêuticos. A
investigadora portuguesa e colaboradores apostaram num condicionador de
desenvolvimento chamado “sinal Notch”, que viaja entre a membrana e o núcleo
da célula, influenciando uma proteína (a p27) que, por sua vez, controla a
maquinaria da divisão celular. Uma das novidades que Leonor Sarmento trouxe
para a ciência foi a que o “si
nal Notch” não influenciava directamente aquela proteína. Havia um elo
intermédio, que tinha passado despercebido aos investigadores: uma outra
proteína, também já conhecida, de seu nome SKP2. Então sim. Descobriram que, a
partir de aqui, eram capazes de modelar a dinâmica celular, interferindo nos
estímulos que as jovens células recebiam do seu ambiente circundante para que
se especializassem – para que fossem os “tijolos” do osso, ou do músculo, ou
dos nervos… Introduzindo, naquele preciso momento do ciclo celular, o “sinal
Notch”, evitava-se a decisão irreversível. As células ficam indiferenciadas
mais tempo, com alguma capacidade pluripotencial e sem se dividirem demasiado.
Estava esclarecido mais um pequeno mistério do mecanismo da divisão celular e
aberta uma pista para a terapia molecular. Leonor Sarmento alerta, contudo,
que a manipulação para fins terapêuticos ainda tem um longo caminho a
percorrer e bastantes riscos a eliminar.
O prémio Citomed de investigação em Imunologia, lançado pela primeira vez este
ano, mas de periodicidade anual, é mais uma parceria de sucesso em que a
Associação Viver a Ciência alia financiamento privado a investigação
científica. Pretende-se, assim, contribuir para o desenvolvimento de carreiras
científicas e promover a investigação de excelência em Portugal, incentivando
a responsabilidade social das empresas perante o progresso do país.
FONTE: ASSOCIAÇÃO VIVER A CIÊNCIA


