Doenças gástricas: investigadores estudam estirpe portuguesa para desenvolver vacina 28 Setembro
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Investigadores da Universidade de Aveiro estão a caracterizar estirpes portuguesas de uma bactéria responsável por doenças gástricas que afecta três quartos da população portuguesa.
A ideia é contribuir para o desenvolvimento de uma vacina contra as estirpes que afectam os portugueses na perspectiva de que uma vacinação em massa, na idade infantil, poderá reduzir significativamente os riscos das doenças gástricas e do duodeno que lhe estão associadas.
A Helicobacter pylori tem sido descrita como sendo uma das bactérias responsáveis por grande parte das doenças gástricas, incluindo o cancro do estômago – o segundo tipo de carcinoma que mais mortes causa no mundo. Segundo o Departamento de Química da universidade, dois terços da população mundial e 75 por cento da população portuguesa está infectada com esta bactéria.
Um dos problemas da bactéria é que nem sempre se manifesta por não ser reconhecida como estranha, pelo que o organismo não desenvolve anticorpos para a combater e eliminar.
“Com o conhecimento adquirido nesta investigação podemos verificar se a vacina em desenvolvimento no Canadá se poderá adaptar às nossas especificidades e, no caso de não se poder adaptar, de que forma a vamos modificar para que tal aconteça”, afirmou o coordenador do projecto Manuel Coimbra, em comunicado.
Como estas doenças são, na maior parte dos casos, tratáveis com antibióticos, outra vantagem da vacina seria ultrapassar a agressividade destes medicamentos e a resistência da bactéria aos mesmos, assinalam os investigadores.
A prioridade desta investigação é caracterizar as estirpes portuguesas da bactéria a partir da sua análise estrutural, o que permitirá desenvolver anticorpos ou mecanismos de combate à infecção que não afectem os grupos sanguíneos.
O projecto, financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, está a ser realizado em parceria com o Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto , a Universidade do Minho e um grupo da Universidade de Guelph, no Canadá, líder na investigação sobre a bactéria.
FONTE: Agência Lusa


