Jornalistas pedem presença de mais especialistas nos media 22 Setembro
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Os jornalistas que participaram na quarta-feira no Fórum Ciência & Comunicação pediram a presença de mais especialistas no processo de produção noticiosa com carácter científico; os cientistas, por sua vez, pediram mais compreensão pelo seu trabalho.
Um dos jornalistas convidados, Nuno Moura Brás (Antena 1), referiu-se à necessidade fomentar a cultura científica, quer junto dos leitores, quer dentro dos próprios órgãos de comunicação, propondo a criação de um conselho editorial científico, nomeadamente nos meios com maior poder económico e relevância nacional.
Já Elsa Costa e Silva (“Diário de Notícias”) sugeriu a criação de “uma base de cientistas” que possam ser contactados pelos jornalistas para interpretar artigos científicos, nomeadamente internacionais, e avaliar a sua importância.
Carlos Marques (Lusa) propôs a criação de editorias de ciência nos órgãos de comunicação e lamentou que a informação normalmente difundida pelos meios de comunicação seja “uma simples tradução” do trabalho feito por jornalistas de agências noticiosas internacionais.
O presidente do Instituto de Biologia Molecular e Celular (IBMC, entidade responsável pela organização do fórum), Alexandre Quintanilha, reconheceu a dificuldade de o cientista comunicar o seu trabalho aos jornalistas que o interpelam, mas lembrou que a ciência tem dificuldade em ter “as certezas que os jornalistas querem”. “Entre o branco e o preto, o cientista às vezes só pode falar do cinzento”, sublinhou o responsável, lembrando que na ciência as verdades “não são absolutas”.
Outra das dificuldades abordadas pelos cientistas presentes no fórum foi a dificuldade em transmitir informação aos jornalistas no tempo em que lhes é pedido. “Muitas vezes somos interpelados ao fim da tarde para comentar temas da actualidade dos quais não percebemos nada e precisamos de tempo ou para encaminhar para um colega ou para analisar o tema”, referiu a investigadora Raquel Seruca.
Durante a sua intervenção, Alexandre Quintanilha alertou ainda para a necessidade de criar um equivalente à norte-americana National Academy of Science, uma espécie de selo de qualidade que permita aferir a qualidade e o peso de uma determinada investigação publicada.
De acordo com o director do jornal online Ciência Hoje (um dos parceiros do evento), a ideia deste encontro foi a de aproximar as partes e limar arestas, porque estas “nunca falam entre si”. Na opinião de Jorge Massada, deveria haver mais encontros deste tipo, de preferência anualmente e envolvendo até jornalistas regionais.
O problema de comunicação entre estes profissionais prende-se normalmente com uma tentativa dos jornalistas de decifrarem a linguagem quase impenetrável dos cientistas, o que muitas vezes é interpretado por estes últimos como falta de rigor na informação. Segundo Jorge Massada, os jornalistas na área da ciência são tradutores de linguagem hermética e informação codificada, sendo desejável que interpretem bem a informação e a passem para linguagem clara e acessível.
FONTE: Agência Lusa


