Instituto Abel Salazar nega ter condições para banco de esperma Bartender 16 Setembro

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O Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS), Porto, garantiu não dispor de “condições legais e técnicas” para acolher o banco de esperma anunciado pelo especialista Mário Sousa para aquele estabelecimento.O perito iniciou ontem as entrevistas das potenciais dadoras de óvulos para o banco, o primeiro público em Portugal, remetendo para Outubro as dos homens, alegando que só nesse mês estaria pronto o laboratório necessário ao congelamento dos espermatozóides – nas mulheres, os óvulos seriam recolhidos e transferidos frescos.

Em entrevistas nos últimos dias, Mário Sousa adiantou mesmo o valor dos prémios a pagar aos dadores, os preços a suportar pelos casais receptores, as características de quem doa e de quem recebe e o endereço electrónico para onde os voluntários poderiam dirigir-se.

“Nada disso existe. Não existe laboratório, não existem pareceres das comissões de ética, não existem autorizações, não existem estudos de viabilidade, nem sequer um projecto escrito”, garantiu hoje à Lusa Sousa Pereira, presidente do conselho directivo do ICBAS.

O responsável afirmou ter havido até ao momento apenas uma conversa pessoal com Mário Sousa, que lhe apresentou a proposta de criação no instituto de um banco público de gâmetas.

“A proposta mereceu a aprovação da escola, que autorizou o arranque do processo, mas há questões éticas, técnicas, científicas e legais que é necessário salvaguardar antes de arrancar com as entrevistas dos dadores”, disse.

Antes de mais, disse, “é necessário que as informações dos dadores estejam inscritas na Comissão Nacional para a Protecção de Dados Pessoais. As entrevistas começaram hoje a ser feitas. Em que computadores estão a ser guardadas as informações? Quem tem acesso a elas? Que garantias há da sua segurança e confidencialidade? Não fazemos ideia”.

“Não existe ainda sequer um único projecto escrito para entregar às comissões de ética tendo em vista obter os respectivos pareceres – numa área de uma sensibilidade extrema como esta, onde se levantam questões éticas e legais complicadíssimas”, disse o professor universitário.

Face às entrevistas de Mário Sousa, o tema foi abordado no conselho científico do ICBAS, tendo Sousa Pereira ficado convencido de que o especialista, ausente então do Porto, seria informado das preocupações do instituto pelo respectivo chefe de departamento.

“Quando hoje voltamos a ver notícias sobre o assunto, já com recolha de dados de dadoras, não podíamos deixar de tomar posição, porque estão a criar-se expectativas que infelizmente não poderão ser cumpridas de momento”, disse.

Segundo este responsável, o espaço reservado para o laboratório “continua em ruínas e sem projecto arquitectónico, sem a menor condição para acolher o congelamento de espermatozóides” e a política de preços apontada por Mário Sousa “não faz o menor sentido, porque não há estudos de viabilidade económica”.

Apesar de “neste momento e num futuro próximo” o ICBAS considerar não dispor de condições para o banco, Sousa Pereira garantiu que o instituto continua aberto à ideia “desde que os passos legais, técnicos e éticos sejam cumpridos”.

A Lusa tentou obter um comentário de Mário Sousa a estas declarações, mas até ao momento tal não foi possível.

FONTE: Agência LUSA

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