Primeira estufa de borboletas ibéricas nasce no Jardim Botânico 24 Agosto
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Lagartagis. Assim foi baptizada a primeira estufa na Europa de borboletas existentes na Península Ibérica, que está a ser concluída no Jardim Botânico de Lisboa e cuja inauguração oficial será a 11 de No- embro, dia do Jardim. Nessa data, aquele espaço com 220 metros quadrados será habitado por dez espécies de borboletas. Estas darão a conhecer aos visitantes o ciclo de vida, que varia de espécie para espécie.
“A estufa tem como função a educação ambiental. A ideia-base é explicar ao público a interacção que existe entre plantas e borboletas e o ciclo de vida destas”, explica ao DN Patrícia Gracia-Pereira, presidente do Tagis – Centro de Conservação das Borboletas de Portugal, e mentora desta ideia inédita na Europa.
Salvaguardando que este projecto não tem como finalidade salvar espécies em vias de extinção, esta responsável diz que a estufa vai integrar apenas borboletas comuns, de forma a mostrar às pessoas como é a vida daquelas espécies coloridas que tantas vezes nos sobrevoam.
Segundo Patrícia Garcia Pereira, vai ser possível ver “a borboleta a pôr o ovo num determinado tipo de planta (naquela de que se alimenta), o nascimento da lagarta que irá alimentar-se dessa planta e mais tarde transformar-se em crisálida que, numa metamorfose incrível, dará origem ao adulto. Ou seja, a uma borboleta colorida que depois põe ovos e morre”. E o ciclo repete-se.
Sendo a fase adulta a mais conhecida das pessoas – apesar de ser a mais curta do ciclo de vida da borboleta – na estufa o visitante vai ficar a conhecer ainda as lagartas – com espinhos, com pêlos, das mais diversas cores – que dão origem àqueles seres “coloridos e esvoaçantes”.
Para tal, a estufa, no final do jardim que tem caminhos delimitados com pedras, vai ter um laboratório acessível aos olhos do público através de um grande vidro que deixa ver a enorme diversidade de lagartas que existem, nomeadamente as que dão origem às borboletas nocturnas.
Com quatro pessoas a trabalhar permanentemente, desde Maio, na construção da estufa – três biólogas e uma engenheira florestal – está a tentar encontrar-se um jardineiro e foram já feitos contactos com pessoas que trabalham na agricultura biológica e que podem ser uma fonte importante de fornecimento de lagartas. As que já se encontram na estufa e muitas das que estão para chegar vêm do seu habitat selvagem, onde são “capturadas”, das 10.00 às 11.00, quando o voo atinge o auge.
A ideia de criar a estufa surgiu em Dezembro de 2005, aquando da apresentação do projecto para a exposição “Borboletas através do Tempo”, que será inaugurada no início de 2007. A estufa irá abrir pela primeira vez as portas a 10 de Setembro, dia aberto no âmbito do programa Ciência Viva. Já a inauguração oficial será a 11 de Novembro, tendo a estufa uma bilheteira independente da do Jardim Botânico, a menos que “surja um supermecenas que dê viabilidade económica ao projecto”, conclui Patrícia Garcia Pereira.
FONTE: Diário de Notícias


