António Gedeão: Ciência e poesia comandaram vida e obra de Rómulo de Carvalho 27 Julho
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A ciência e a poesia tiveram a mesma importância na vida de Rómulo de Carvalho, mas foi com frases poéticas como “o sonho comanda a vida”, criadas sob o pseudónimo de António Gedeão, que se tornou mais conhecido.
Em declarações à Agência Lusa, familiares do autor garantiram que as duas áreas, aparentemente tão opostas, tiveram um peso equivalente na vida do autor, cujo centenário do nascimento será comemorado a 24 de Novembro deste ano.
O programa das comemorações foi hoje apresentado à imprensa por uma comissão organizadora que reúne familiares, antigos alunos e amigos de Rómulo de Carvalho, homem multifacetado, historiador e divulgador da ciência, pedagogo e professor durante 40 anos, falecido em 1997.
Frederico Gama Carvalho referiu à Lusa que o pai se dedicou com o mesmo entusiasmo e empenho à ciência e à poesia, mas foi com “frases poéticas simples e acessíveis” que ele se tornou mais conhecido no país.
“O trabalho na área da investigação científica e docência – disse – foram muito relevantes. Ele foi o primeiro, por exemplo, a escrever uma História do Ensino em Portugal, mas talvez o grande público desconheça estes aspectos da sua vida”.
Depois de alguns compositores terem musicado alguns dos seus poemas, nomeadamente “Pedra Filosofal”, a poesia de António Gedeão “começou a ser cantada por toda a gente”.
“O sonho comanda a vida é uma frase tão simples, mas tão bonita.
Tocou profundamente as pessoas”, comentou, procurando explicar o sucesso da canção.
Frederico Gama Carvalho considera que, por isso mesmo, a obra poética do autor “está ampla e suficientemente divulgada, o que já não acontece com o seu restante trabalho noutras áreas”.
Na sua opinião, as entidades públicas deveriam investir mais na reedição de títulos já esgotados e na edição de inéditos de Rómulo de Carvalho, “o que deverá acontecer em 2007 com o impulso dado pelas iniciativas previstas nas comemorações do centenário”.
A Fundação Calouste Gulbenkian deverá editar as “Memórias” do autor, uma obra com 1100 páginas que percorrem toda a sua vida profissional e pessoal, e serão também reunidos poemas e traduzidos para inglês, italiano, espanhol e francês.
A memória de Natália Nunes da Gama Carvalho, viúva do investigador, retém momentos, na vida deste, que foram, não apenas de dedicação ao trabalho, mas também de lazer e de uma “curiosidade constante em saber como funcionavam as coisas, como se faziam”.
“Ele era capaz de tirar fotografias e notas sobre todo o processo de criar e colocar uma estátua num espaço público”, recordou, em declarações à Lusa.
Sobre a ligação entre a ciência e a poesia, “era constante, e isso nota-se no vocabulário científico e metáforas que colocou nos seus poemas”, indicou.
Era uma “pessoa de trato fácil, mas muito rigoroso, embora sem dureza”, descreveu o filho, lembrando ainda a exigência, “contrária ao habitual dos portugueses, em ser pontual, e também em falar e escrever correctamente, sem erros”.
No dia 24 de Novembro, data do aniversário de Rómulo de Carvalho, falecido em 1997, a Academia das Ciências de Lisboa presta- lhe uma homenagem numa sessão solene que contará com a presença de académicos das universidades de Lisboa, Porto, Coimbra e Évora.
FONT: Agência Lusa (Notícia SIR-8208660)


