Primeiro inventário da reserva ecológica submarina surge no Algarve Bartender 5 Julho

Comments Off

A reserva ecológica submarina do Algarve está a ser alvo de um estudo pioneiro que visa identificar as zonas mais sensíveis e quais as actividades que aí podem ser desenvolvidas, disse à agência Lusa o responsável pela investigação.

O estudo, iniciado em 2003, está a ser desenvolvido pelo Centro de Ciências do Mar da Universidade do Algarve, a pedido da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional, e “pretende mapear as comunidades marinhas e identificar as zonas mais e menos sensíveis”, explicou à Lusa o coordenador do projecto, Jorge Gonçalves. O investigador salientou que a reserva ecológica submarina, apesar de regulada pelo decreto-lei 93/90, que alargou o âmbito de aplicação da Reserva Ecológica Nacional, por enquanto “só existe no papel”. “É importante valorizar esta faixa [entre os zero e os trinta metros de profundidade] para proteger a vida marinha”, defendeu Jorge Gonçalves.

O trabalho está já concluído num troço entre Vale do Lobo e Albufeira, e vai ser alargado a Oeste, até Lagos, e a Leste até ao Cabo de Santa Maria. A equipa de cientistas está agora a centrar a sua atenção na zona entre Armação de Pêra e Portimão. “É importante saber quais as zonas mais ricas para sabermos o é que é importante preservar, ajudando as autoridades a decidir sobre o licenciamento de determinadas actividades, como as dragagens, por exemplo”, justificou.

Jorge Gonçalves frisou que “não se pretende criar santuários, mas sim conciliar as actividades”. “Se identificarmos uma zona sensível, num local onde estava planeada uma dragagem podemos sugerir que seja feita um pouco mais ao lado”, exemplificou. A investigação permitiu já realizar o maior inventário faunístico do Algarve.

Foram já registadas mais de 1.000 espécies, entre as quais dez que são a primeira referência em Portugal e seis na Península Ibérica. “A maior parte são crustáceos, mas identificámos também dois peixes que foram registados cá pela primeira vez. Para além do conhecimento sobre as espécies, o inventário serve de base para a administração central gerir esta área e decidir o que se pode ou não fazer”, considerou o especialista.

A ideia é fazer “um mapa de toda a costa algarvia para qualquer tipo de actividade que se pretenda desenvolver nesta, seja elas dragagens, pescas, construção de marinas ou pontões”. Para surpresa e satisfação dos investigadores, as zonas que têm estado a estudar não se encontram muito degradadas. “Mas já sabemos quais é que têm mais necessidade de ser protegidas”, concluiu.

FONTE: Agência Lusa (Notícia SIR-8098313)

Os comentarios estão fechados.

Artigos relacionados

    Investigar em RSS