Investigadores estudam explicações Bartender 4 Julho

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Investigadores da UA estão a desenvolver um estudo pioneiro para avaliar o impacto das explicações no âmbito académico. Os responsáveis pelo projecto explicam a dimensão desta «actividade na sombra» que começa a despertar a atenção das grandes empresas multinacionais.

António Neto-Mendes, Alexandre Ventura e Jorge Adelino Costa, investigadores do Departamento de Ciências da Educação, são os mentores do estudo, inédito em Portugal, que visa conhecer a situação das explicações no país, nomeadamente as ligações entre as explicações e a eficácia das escolas, o insucesso/sucesso académico dos alunos e o nível de equidade dos alunos e respectivas famílias, no acesso à educação. Pretende, de igual modo, analisar a dimensão comercial deste fenómeno, nomeadamente «porque é que aparece, qual o impacto que tem e quais são as diferenças relativamente à abordagem doméstica das explicações», declara Alexandre Ventura. Para tal foram distribuídos inquéritos pelos alunos do 12º ano das escolas da região de Aveiro.

Longe vão os tempos da visão doméstica da explicação em que havia um explicador individual para cada explicando. Actualmente, assistimos ao emergir dos grandes centros de explicações, onde um explicador recebe turmas de alunos, como se de uma sala de aula se tratasse. «Há países que já desenvolveram a chamada indústria de explicações e há multinacionais cotadas nas bolsas. Em Portugal esta é uma realidade relativamente recente», sublinha António Neto-Mendes. Este investigador adverte ainda para o perigo da mercantilização do ensino, face ao actual crescimento verificado na procura das explicações, «a educação não pode, como outros serviços públicos, estar sujeita ao poder de aquisição das famílias».

Embora a investigação ainda não esteja concluída, os investigadores apontam para o facto de ser necessário conhecer os factores que determinam a posição das escolas nos rankings nacionais divulgados anualmente pelo Ministério da Educação, «pensamos que existe alguma correlação entre os alunos que frequentam as explicações e os rankings, e temos tentado cruzar esses factos», explica Jorge Adelino Costa.

Dados preliminares do estudo revelam igualmente que existe maior procura de explicações para as disciplinas das ciências exactas. A Matemática lidera a lista que conta também com a Física, a Química e a Geometria Descritiva, respectivamente. O ingresso nos cursos actualmente mais apetecíveis, a Arquitectura e a área da saúde, motivam, segundo os investigadores, a procura destas explicações. Este estudo longitudinal é financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia e tem a duração de três anos. Informação complementar poderá ser consultada em: http://www.dce.ua.pt/xplika/default.asp

FONTE: ua_online

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