Novo laboratório vai guardar 60 mil amostras de células estaminais 28 Junho
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A Crioestaminal, pioneira em Portugal no proce so de congelação do sangue do cordão umbilical de recém-nascidos, inaugura hoje no parque de biotecnologia (Biocant Park) de Cantanhede um laboratório que permitirá guardar 60 mil amostras de células estaminais.
O interesse no sangue do cordão umbilical deve-se ao facto deste conter células progenitoras hematopoéticas, ou seja, com a capacidade de originarem sangue (glóbulos brancos, vermelhos e plaquetas). Por ter estas características, o sangue do cordão umbilical é utilizado no tratamento de cancros (como leucemia) e linfomas no sangue.
Segundo um comunicado da empresa, o novo laboratório da Crioestaminal, situado em Cantanhede, Coimbra, envolve um investimento de um milhão de euros em infra-estruturas e tecnologia de ponta, permitindo a criopreservação de células estaminais em território português. O desenvolvimento da investigação médico-científica naquela área e a en trada, a curto prazo, no mercado espanhol, “quatro vezes maior” que o interno, s ão outros dos objectivos da empresa com a criação da nova infra-estrutura. Actualmente, a Crioestaminal cobra 1.200 euros pelo serviço, que inclui a disponibilização de um kit para a recolha do sangue e o seu transporte até um laboratório em Bruxelas, onde fica congelado por 20 anos.
Desde 2003, data da sua criação, já procedeu à recolha de 10 mil amostr as de sangue do cordão umbilical, afirmou recentemente à Lusa o responsável de comunicação da empresa.
Apesar de, desde 2003, em três das cinco empresas que prestam este serviço em Portugal, mais de 11.600 portugueses terem pago 14 milhões de euros para congelar o sangue retirado do cordão umbilical dos filhos, a comunidade científica tem levantado várias dúvidas, nomeadamente sobre a sua real aplicação no caso de doenças. Em Novembro do ano passado, a Sociedade Portuguesa de Células Estaminais e Terapia Celular (SPCE-TC) revelou que apenas uma em cada 20 mil pessoas que têm armazenadas células estaminais do cordão umbilical poderá utilizá-las para o tratamento de doenças.
Na sua tomada de posição pública sobre os bancos de células estaminais do cordão umbilical, a SPCE-TC refere que a utilização deste material genético tem, “à luz dos conhecimentos científicos actuais, uma utilidade restrita a um conjunto de patologias altamente específico”.
O Grupo Europeu de Ética alertou, no ano passado, para o “engano” que é congelar células do cordão umbilical para a utilização futura do dador, já que são raríssimos os casos em que servem para tratar doenças. Este órgão consultivo da Comissão Europeia especifica que “a probabilid ade de se precisar de um transplante autólogo [de tecidos provenientes do próprio dador] está estimada em aproximadamente um em cada 20 mil casos, durante os primeiros 20 anos de vida”.
FONTE: Agência Lusa (Notícia SIR-8122461)


