Cavaco apela à cooperação de universidades e empresas na ciência 17 Junho
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O apelo à cooperação “em rede” de empresas, universidades e centros de investigação vai ser defendido segunda e terça-feira pelo Presidente da República, no seu primeiro Roteiro para a Ciência, no Porto e em Coimbra.
Durante o périplo de dois dias, que se inicia no Porto e termina em Coimbra, Cavaco Silva irá mostrar “bons exemplos” do que já se faz em Portugal no domínio da biociência e biotecnologia (as duas áreas em destaque nesta primeira etapa do Roteiro), que demonstram as virtudes da cooperação e do trabalho científico conjunto.
Entre investigadores, empresários e universitários, acompanhado pelo ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Mariano Gago, o Presidente deverá apontar a cooperação entre os vários agentes nestas áreas como o caminho a seguir para tornar o trabalho no domínio da ciência e da investigação “mais frutífero”, mas também para que os projectos possam ganhar em “dimensão e massa crítica”.
O objectivo, disse à agência Lusa fonte de Belém, é que os casos de sucesso a visitar por Cavaco Silva possam multiplicar-se “noutros sítios” do País e “noutras áreas” da investigação e da ciência.
O discurso com que Cavaco Silva conclui, na terça-feira, a primeira etapa do Roteiro para a ciência será feito, sintomaticamente, no encerramento do curso de Empreendedorismo das Universidades de Coimbra, Aveiro e Beira Interior e do Conselho Empresarial do Centro.
A par da necessidade de apostar na cooperação e no trabalho conjunto – uma ideia muito repetida também pelo seu antecessor, Jorge Sampaio -, Cavaco Silva deverá também enaltecer o trabalho dos cientistas portugueses, que “estão na base da inovação e da investigação” nas áreas em que se especializaram.
Durante dois dias, o Chefe de Estado procurará também mostrar bons exemplos de investigadores, nomeadamente casos de alguns que, tendo começado na investigação, acabaram por criar os seus próprios postos de trabalho ou mesmo empresas.
O Roteiro para a Ciência, paralelo ao Roteiro para a Inclusão (cuja primeira etapa decorreu a 29 e 30 de Maio), tem início segunda- feira, leva o Presidente, segunda-feira, à empresa BIAL, na Trofa, antes de almoçar com 25 investigadores galardoados com prémios científicos na área das Biociências e da Biotecnologia, no Círculo Universitário do Porto.
à tarde, ainda no Porto, o chefe de Estado visita o Instituto de Biologia Molecular e Celular e o Instituto Nacional de Engenharia Biomédica.
Na terça-feira, Cavaco Silva desloca-se ao Centro de Tecnologia e Química Fina e o Centro de Incubação de Empresas, da Escola Superior de Botecnologia da Universidade Católica Portuguesa, no Porto, antes de inaugurar, em Cantanhede, do novo edifício do Biocant Park, um Parque de Biotecnologia.
Apesar dos progressos na área da investigação, desenvolvimento e inovação, Portugal continua a situar-se abaixo da média da União Europeia em alguns dos principais indicadores.
O número de novos doutorados é de 0,3 por mil habitantes, quando na UE são, em média, 0,55. O número de pessoas a trabalhar nesta área é de 4,6 por mil, contra 9,4 na média comunitária. A despesa pública em Portugal com investigação e desenvolvimento é de 0,52 por cento do PIB e a média europeia é de 0,7.
Para inverter esta realidade, o Governo lançou duas iniciativas – Plano Tecnológico e Compromisso para a Ciência – destinadas, genericamente, a impulsionar a inovação, vencer o atraso científico e tecnológico e qualificar os portugueses para a sociedade do conhecimento.
A União Europeia sofre, por seu turno, de um atraso estrutural em matéria investimento público e privado em investigação e desenvolvimento face, sobretudo, aos Estados Unidos e Japão, sendo um dos objectivo da Estratégia de Lisboa inverter essa realidade.
Nas áreas que servem de tema do roteiro presidencial – a biociência e a biotecnologia – Portugal tem, no entanto, um potencial elevado e de crescimento, apesar de ser necessário tornar o regime fiscal mais atractivo, de aumentar a despesa em investigação e desenvolvimento ou criar mais espaços de incubação de empresas e disponibilizar mais capital inicial.
FONTE: Agência Lusa (Notícia SIR-8088865)


