Portugueses preparam celebração do Ano Polar 14 Junho
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O Ano Polar Internacional, que será celebrado entre 2007 e 2008, é um dos temas principais do Encontro Consultivo do Tratado da Antárctida, que ontem começou em Edimburgo, na Escócia, e decorre até ao dia 23. Portugal não está representado nesta reunião, que junta 300 cientistas e políticos de 45 países, e ainda não subscreveu o Tratado da Antárctida, situação que os cientistas portugueses gostariam de ver alterada.
Gonçalo Vieira, do Centro de Estudos Geográficos da Universidade de Lisboa, salienta que o Ano Polar Internacional é uma oportunidade para Portugal concretizar dois objectivos: a entrada no Comité Científico para a Exploração da Antárctida, que gere a investigação feita naquele continente, e a subscrição do Tratado da Antárctida.
Assinado em 1961 por 12 países, o tratado estabeleceu que aquela região permaneceria desmilitarizada e livre de testes nucleares e seria apenas usada para fins pacíficos. E procurou fomentar a cooperação internacional em projectos científicos. Desde então, foram estabelecidos pelos países signatários, actualmente são 44, acordos sobre a protecção da fauna e da flora ou a exploração de minerais, que em 1991 foi inviabilizada por 50 anos, até 2041.
A adesão portuguesa ao tratado tem sido defendida por investigadores portugueses, entre os quais Luís Mendes Victor, do Centro de Geofísica da Universidade de Lisboa, que adianta terem já sido estabelecidos contactos com o Ministério da Ciência. Perceber a Antárctida, diz, é fundamental para compreender as principais alterações climáticas, como o aquecimento global ou o aumento do nível do mar.
Recentemente foi criado o Comité Português para o Ano Internacional Polar, presidido por Mendes Victor e com a participação de Gonçalo Vieira. Este investigador tem centrado o seu trabalho no permafrost, o solo que permanece gelado durante muito tempo. Essa é, aliás, uma das áreas de investigação em que Portugal irá participar durante o Ano Polar Internacional.
No mundo inteiro, serão realizados cerca de 200 programas científicos, seis dos quais com a participação de portugueses. Dependendo do dinheiro obtido, Gonçalo Vieira prevê que, nos próximos dois anos, possam ir à Antárctida 16 a 20 cientistas portugueses, quase o dobro dos que lá foram nos últimos 25 anos.
Os cientistas portugueses deverão participar em dois projectos na área das ciências biológicas e noutros programas relacionados com o permafrost. Um deles tem como objectivo a instalação de uma rede de monitorização da temperatura dos solos em profundidade. Na Antárctida, só há quatro perfurações com 30 metros para a medição da temperatura e o objectivo é fazer outras duas. Ainda relacionado com o permafrost, os cientistas portugueses participarão na instalação de pontos de monitorização que permitam avaliar as mudanças na paisagem provocadas, por exemplo, por alterações na espessura da neve e o deslizamento de solos.
Será ainda proposta a criação de bolsas para cientistas polares, “pois uma das coisas que nos falta é massa crítica”, diz Gonçalo Vieira. Para os estudantes está a ser preparada a iniciativa Latitude 60, que envolverá as escolas naquela que será a Semana das Regiões Polares, em Março de 2007. Haverá conferências, blogues, sites com fotos, um congresso e palestras na Sociedade de Geografia de Lisboa.
FONTE: Público


