Descoberta nova espécie de dinossáurio anão na Alemanha, português na equipa 7 Junho
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Uma nova espécie de dinossáurios anões que viveram há 150 milhões de anos foi identificada na Alemanha por uma equipa coordenada cientificamente por Octávio Mateus, especialista do Museu da Lourinhã, foi hoje anunciado.
A descoberta do Europassaurus holgeri, um dinossáurio saurópode assim baptizado por ter sido encontrado pelo coleccionador amador alemão Holger Ludtke, é oficializada quinta-feira na revista científica Nature.
Assinam o artigo da Nature um grupo de cientistas alemães e o português Octávio Mateus, coordenador da equipa científica que estudou os achados do ponto de vista anatómico.
Octávio Mateus adiantou hoje à agência Lusa que “foram encontrados pelo menos 15 animais com fósseis dos mais bem conservados na Europa e inclusivamente com partes de crânios, o que é único a nível europeu”.
“Trata-se de uma manada completa de dinossáurios anões, desde bebés com 1,80 metros a adultos de seis metros. Pode parecer um tamanho grande mas na realidade é muito pequeno se os compararmos com outros saurópodes que chegam a atingir 30 metros de comprimento”, explicou o especialista português.
Octávio Mateus disse ainda à Lusa que o estudo dos achados permitiu compreender melhor a forma como o corpo destes animais evoluía ao longo da vida.
“Trata-se de um novo género e uma nova espécie para a ciência”, salientou.
O responsável científico do museu da Lourinhã trabalhou em colaboração com o Dinopark Dinosaurier- Freilichtmuseum Münchehagen (Alemanha).
Os investigadores chegaram ainda à conclusão de que “toda esta espécie é anã já que no Jurássico Superior a Europa era um arquipélago e aquela zona da Alemanha era uma ilha, local onde tendem a desenvolver-se espécies anãs”.
Segundo os especialistas, em condições extremas há mais possibilidades de sobreviverem as espécies pequenas uma vez que não necessitam de consumir tantas calorias como as maiores.
A primeira descoberta foi realizada em 1998 na pedreira de Oker, na Baixa Saxónia, pelo alemão Holger Ludtke, um coleccionador amador que tem vindo a colaborar com os investigadores.
Octávio Mateus disse que desde que visitou pela primeira vez o local, em 1999, passou a coordenar a equipa científica alemã que tem vindo a estudar estes dinossáurios.
A réplica do crânio do Europasaurus pode agora ser visitada no Museu da Lourinhã, conhecido pela importância dos achados de dinossáurios encontrados neste concelho nas últimas décadas, nomeadamente os raros ovos de embriões de dinossáurios carnívoros.
Segundo o artigo da Nature, a equipa de investigadores que analisou as ossadas fossilizadas do Europasaurus holgeri pensou inicialmente que pertencessem a animais jovens, dado o seu tamanho.
No entanto, depois de exames histológicos à estrutura dos restos ósseos encontrados (mandíbulas, dentes, vértebras) os cientistas aperceberam-se de que apesar de terem apenas 6,2 metros de comprimento, alguns deles eram adultos, já que se encontraram espécies juvenis com 1,7 metros.
O Europosaurus holgeri representa, por isso, o primeiro caso conhecido de nanismo insular entre os dinossáurios.
Ainda de acordo com o artigo da Nature, existiram dinossaúrios “normais” ainda mais pequenos (do tamanho de um pombo), mas eram espécies diferentes de répteis terópodes (bípedes e carnívoros).
Os saurópodes (quadrúpedes e herbívoros) são sobretudo caracterizados pela sua tendência para o gigantismo, com os maiores a atingirem cerca de 30 metros de comprimento.
FONTE: Agência Lusa (Notícia SIR-8059990)


