Lusoexpedição: Vida marinha subiu ao Crioula em sessão de cinema improvisada 4 Junho
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Uma sessão de cinema improvisada levou a bordo do Crioula as primeiras imagens subaquáticas captadas pelos investigadores da Lusoexposição nos cumes submarinos de Gorringe, a pouco mais de 340 quilómetros da costa portuguesa.
A Lusoexpedição 2006, liderada pela Universidade Lusófona e que inclui também investigadores das universidades dos Açores e do Algarve, bem como 35 estudantes do Ensino Superior, zarpou sexta-feira a bordo do Crioula com destino ao Banco do Gorringe, a meio caminho entre a Madeira e o continente.
Depois de um primeiro mergulho mal sucedido, na manhã de sábado, a segunda tentativa foi proveitosa, tanto em termos de amostras recolhidas, como a nível de espécies observadas.
O resultado traduziu-se na beleza e cor das filmagens que foram projectadas na noite de sábado, quando os tripulantes tiveram oportunidade de ver, projectado num lençol que ondulava ao vento, um pouco da riqueza que os mergulhadores observaram durante a descida ao pico Gettysburg, a 30 metros de profundidade.
Algas, esponjas, cardumes de lírios, barracudas, pampos, budiões e mesmo um cavaco surgiram no lençol, que substituiu desta vez o pano da vela da anterior “sessão cinematográfica”.
Na última projecção foram vistas espécies já identificadas no Gorringe e outras ainda não avistadas, mas que se esperava encontrar por já terem sido vistas em locais próximos, como a costa africana e a Madeira.
É o caso do rascasso, que foi agora identificado pela primeira vez nesta zona pela equipa da Lusoexpedição.
Graças à velocidade do Crioula, que atingiu o Gorringe quase um dia antes do previsto, o mergulho acabou por acontecer muito mais cedo do que se esperava.
Na manhã de sábado já se enchiam garrafas e ultimavam os preparativos, enquanto um semi-rígido distribuía as bóias necessárias para marcar os pontos de entrada dos investigadores.
Os mergulhadores, divididos em duas equipas de seis elementos cada, desceram por duas vezes às profundezas do oceano.
Na primeira, a corrente forte que se fazia sentir acabou por gorar as expectativas e dar pouco trabalho aos 35 estudantes universitários que apoiam as equipas na triagem das amostras recolhidas, mas na segunda, o mar estava mais calmo e proporcionou momentos felizes.
No convés do Crioula, os tabuleiros de amostras encheram-se de vida marinha e um balde de água salgada mostrava alguns dos peixes coloridos que nadam nestas águas.
“Encontrei os maiores peixes-porco que já vi na vida”, exclamou Frederico Cardigos, biólogo marinho da Universidade dos Açores.
Também o imediato do navio, capitão-tenente Castro, descreveu a descida ao Gettysburg com entusiasmo: “ao princípio, é um mergulho no azul. Depois, à medida que fomos descendo, vi peixes de todos os tamanhos e feitios”.
Foram também lançadas armadilhas, com as quais se espera recolher essencialmente peixes de fundo, moluscos e crustáceos, disse Frederico Almada, outro dos biólogos que acompanham a expedição, e investigador da Universidade Lusófona.
Frederico Cardigos justificou a importância dos montes submarinos, como o Gorringe, pelo facto de serem considerados oásis oceânicos, no meio de um oceano aberto normalmente “com baixa produtividade”.
O peixe acumula-se nestas zonas aparentemente por causa do fluxo constante de nutrientes que resulta de um fenómeno conhecido como “colunas de Taylor”, que faz com que a água circule fechada sobre si mesma ao redor destes cumes, explicou o investigador.
Por todo o mundo, os montes submarinos albergam 794 espécies de peixes, das quais 50 têm um valor comercial importante.
A pesca e o arrasto de fundo são por isso consideradas as principais ameaças à biodiversidade destes “oásis oceânicos”, embora a exploração de recursos geológicos e minerais, também possa ter impacto negativo.
Quanto às espécies do Gorringe, o número das que foram identificadas é, de acordo com Frederico Cardigos, “muito baixo”.
Os investigadores estão, por isso, empenhados em acrescentar novas espécies às que já foram encontradas nestes cumes submarinos e, quem sabe, descobrir alguma totalmente nova para a ciência.
FONTE: Agência Lusa (Notícia SIR-8051110)


