Centro de Geofísica de Évora coordena projectos sobre aerossóis e nuvens Bartender 18 Maio

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Cerca de 40 cientistas, metade deles do Serviço Meteorológico Britânico, estão envolvidos, desde hoje, em duas campanhas científicas aéreas para observação dos aerossóis e das nuvens sobre Portugal, coordenadas pelo Centro de Geofísica de Évora.

As duas campanhas, que terminam a 18 de Junho, fazem parte dos projecto s europeus CAPEX (Clouds and Aerosols over Portugal Experiment) e DARPO (Desert Dust and Biomass Burning Aerosols over Portugal), financiados pela European Flee t for Airborne Research (EUFAR) e também coordenados pelo Centro de Geofísica de Évora (CGE).

Ana Maria Silva, docente do CGE, integrado na Universidade de Évora, ex plicou hoje à agência Lusa que as campanhas vão investigar as “propriedades de n uvens e de aerossóis, em particular dos que são oriundos do deserto do Sahara, d os incêndios e de queimadas”.

Os aerossóis são partículas pequenas e sólidas, de composição química d iversa, suspensas na atmosfera e que, pela sua grande capacidade associativa, ac tuam como núcleos de condensação para a formação de nuvens.

“Estas campanhas científicas são as únicas iniciativas do género, até a gora, coordenadas e realizadas por investigadores portugueses na Universidade em Portugal”, salientou Ana Maria Silva.

As campanhas envolvem, no seu conjunto, cerca de 40 cientistas, integra ndo, além dos investigadores britânicos, também portugueses e uma equipa espanho la da Universidade de Granada.

Meios aéreos ingleses e alemães equipados com “toda a instrumentação ci entífica de ponta” na área das Ciências da Atmosfera também participam na invest igação, explicou Ana Maria Silva, acrescentando que as missões científicas vão descolar da Base Aérea nº 11, em Beja.

A par dos meios aéreos, os trabalhos abrangem ainda as plataformas obse rvacionais à superfície do Observatório de Física da Atmosfera do CGE, em Évora e no Cabo da Roca (Cascais).

A primeira missão aérea iniciou-se hoje, ao abrigo do projecto DARPO, centrado apenas o estudo dos aerossóis provenientes do Norte de África, de incênd ios e de queimadas, tendo a docente do CGE explicado à Lusa que, na primeira sem ana de Junho, vai decorrer outro voo para monitorização no mesmo âmbito.

“A investigação desenvolvida pelo DARPO é muito importante porque, ao e studar os aerossóis, pode contribuir para um conhecimento mais preciso das propr iedades dessas partículas, ajudando as reduzir as incertezas que afectam os mode los sobre o clima e as alterações climáticas”, realçou.

Os modelos que traçam as projecções para o clima futuro, tentando antev er as suas possíveis alterações, são marcados por “muitas incertezas”, segundo A na Maria Silva, e é necessário “torná-los mais fidedignos, para não se cair na e laboração de cenários catastróficos”.

“Para não dizermos disparates ou lermos, por vezes, na comunicação soci al cenários completamente ridículos, temos que melhorar a quantificação dos efei tos dos constituintes dos aerossóis. Desta forma, poderemos aperfeiçoar os model os do clima”, argumentou.

Quanto ao CAPEX, as campanhas coordenadas pelo CGE iniciam-se a 30 de M aio e terminam a 18 de Junho, tratando-se, neste caso, de um projecto “mais vast o” que investiga, além dos aerossóis, também as propriedades microfísicas das nu vens e a alteração das condições de formação de precipitação.

“As nuvens são fundamentais na formação da precipitação e o seu estudo é muito importante porque estaremos mais aptos para analisar esse mesmo papel e, por exemplo, para cenários futuros, prever secas”, adiantou.

O Centro de Geofísica de Évora foi criado em 1991, no âmbito do Program a Ciência, e iniciou as suas actividades de investigação dois anos depois, no ca mpo das ciências da Terra, do Clima e Ambiente e do Espaço.

Projectos de I&D (Investigação e Desenvolvimento), formação avançada, o rganização de conferências, workshops e cursos, cooperação com outras instituiçõ es, difusão de cultura científica e prestação de serviços à comunidade são algum as das actividades desenvolvidas.

FONTE: Agência Lusa (Notícia SIR-8001095)

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