Biotecnologia: Conferência inédita dá a conhecer o que se faz em Portugal Bartender 17 Maio

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Uma conferência inédita em Portugal sobre biotecnologia vai reunir a 01 de Junho no Museu da Farmácia vários profissionais que vão debater e divulgar os últimos avanços em matéria de investigação médica, sobretudo para doenças raras.

O programa da I Conferência Nacional de Biotecnologia – Investimento, Ciência e Saúde foi hoje apresentado pelo Museu da Farmácia e pela empresa de biotecnologia Genzyme, as duas entidades que em conjunto organizam o evento.

O objectivo do encontro é não só comemorar os aniversários destas duas entidades – dez anos do Museu da Farmácia e 25 anos da Genzyme – mas também conjugar interesses no sentido de divulgar os grandes avanços da investigação médica.

Dirigido a profissionais de saúde, a parceiros de investigação, a farmacêuticos, a biólogos e sobretudo a estudantes, “porque estes são o futuro”, o fórum pretende que todos saiam de lá a saber o que se faz a nível médico em doenças raras de que quase ninguém fala, explicaram João Neto, director do Museu da Farmá cia, e Alberto Inez, director-geral da Genzyme Portugal Laboratórios Bial, Biocant Park, Biotecnol, Taguspark, ASEBIO (associação espanhola de biotecnologia) e Fundação de Ciência e Tecnologia são algumas das o rganizações que irão marcar presença no evento.

O primeiro painel dará lugar a um debate sobre a investigação e a sua relação com as terapêuticas, diagnóstico e monitorização, com especial relevo para novos medicamentos e o trabalho desenvolvido pelo Instituto de Medicina Molecular .

O segundo painel apresenta a investigação que está a ser feita no país pelos grupos de biotecnologia sedeados em Portugal, e o terceiro consistirá num tes temunho das fundações e associações ligadas à investigação e saúde.

As doenças raras assumem um papel fundamental neste encontro, na medida em que é sobretudo a estas que se dedicam algumas empresas de biotecnologia.

Segundo Alberto Inez, “o custo da investigação para tratar dois doentes ou dois milhões é o mesmo”, razão por que a maioria dos laboratórios aposta em doe nças de grande dimensão, como o cancro ou a Sida.

“A Genzyme surgiu para se dedicar às doenças a que os outros laboratórios não se dedicavam. Hoje em dia, com oito mil colaboradores em mais de 80 países a sua actividade continua principalmente centrada nas doenças raras”, através da investigação com enzimas. As doenças de Gaucher, de Fabry, de Pompe e a Mucopolissacaridose do tipo 1 (MPS1) são algumas das doenças raras para as quais já foram desenvolvidos medi camentos e que se inserem no grupo das doenças do Lisossoma.

Estas patologias resultam de uma deficiência genética em que o lisossoma ( estrutura presente no interior de células do corpo humano) deixa de produzir uma enzima que tem como função fundamental a remoção do lixo tóxico das células.

Assim, é utilizado um processo de síntese biotecnológica, que se traduz na “introdução de um gene no interior de uma célula, em cultura. Esta vai produzir a enzima, que é retirada e leofilizada”, para ser utilizada como mediamento, explicou Alberto Inez.

A síntese biotecnológica, por oposição à síntese química que usa químicos adicionados, permitiu a criação das quatro enzimas necessárias para estas doenças.

O especialista sublinhou, contudo, que apesar de a biotecnologia represent ar hoje um contributo fundamental na melhoria da qualidade de vida das pessoas, ainda há muito para fazer, sobretudo tendo em conta que todas as semanas surgem cinco novas doenças.

O director do museu, João Neto, salientou também, a propósito da Biotecnol ogia, que a “era do antibiótico que mata tudo” está prestes a acabar, pois com a s novas técnicas científicas, como a clonagem, ou a utilização de embriões e de terapêuticas génicas, a tendência é cada vez mais para “lançar mísseis que vão directamente à causa da doença com menores efeitos colaterais”.

A par da conferência decorrerá uma exposição de pintura realizada por doentes com patologias do Lisossoma, que correrá todo o Globo, desde a Europa à Ásia , passando pelos Estados Unidos da América, onde ficará durante mais tempo.

Entre as 30 telas que compõem a exposição, denominada “Expression of Hope” constam duas portuguesas, escolhidas de dez submetidas e escolhidas por um júri .

FONTE: Agência Lusa (Notícia SIR-7994311)

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