Ligações entre universidades e empresas são fracas e ocasionais Bartender 3 Maio

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Duas economistas da Universidade do Porto fizeram um estudo sobre as ligações entre empresas e universidades em Portugal em que concluíram que estas são fracas, ocasionais e sem sustentabilidade.

Aurora Teixeira, do Centro de Estudos Macroeconómicos e Previsão da Faculdade de Economia do Porto (FEP), e Joana Costa, das faculdades de Economia e Letras do Porto, publicaram o seu estudo como documento de trabalho no endereço electrónico da FEP.

As economistas inquiriram 2.852 empresas sedeadas em Portugal e que integravam 24 associações empresariais, que cobrem todas as actividades económicas, sobre os contactos quem tinham estabelecido com a Universidade entre 2001 e 2003.

Daquele universo receberam 1.538 questionários, entre Outubro de 2004 e Dezembro de 2005.

Em termos médios, as empresas tinham 25,9 anos, empregavam 139 trabalhadores, exportavam 17,3 por cento das suas vendas e gastavam em investigação e desenvolvimento o equivalente a 2,2 por cento da facturação.

Das firmas que responderam, 47 por cento estabeleceram contactos com a universidade entre 2001 e 2003.

Mas quando inquiridas se estavam interessadas em manter futuros contactos 61,2 por cento responderam que “não” e 38,0 por cento admitiu realizar contactos “só se lhes fosse pedido”.

Apenas 12 das 1.521 empresas que responderam a esta questão disseram que “estavam muito interessadas em estabelecer contactos futuros com as universidades”.

As autoras entendem que este cenário pode reflectir vários aspectos, como o de as firmas não considerarem as universidades como fontes críticas de conhecimento e informação para as suas actividades inovadoras.

Uma segunda possibilidade é a de as firmas terem ficado desapontadas com os resultados da relação e uma outra a dinâmica relativamente baixa nas empresas ou, pelo menos, alguma escassez de dinâmica inovadora que requeira conhecimento científico fundamental.

Por junto, Teixeira e Costa dizem que os resultados sugerem que a baixa frequência de contactos com as universidades em Portugal pode ser atribuída a uma estrutura industrial focada em actividades não baseadas na ciência, caracterizada por um conjunto elevado de pequenas e médias empresas e cuja carteira de estratégias de investigação e desenvolvimento é limitada.

O estudo apurou ainda que as empresas tendem a contactar as universidades que estão na sua vizinhança e que o tipo de contacto mais frequente entre Universidade e empresas consistiu na concessão de estágios aos alunos que se encontravam na fase final da licenciatura.

Apesar desta caracterização da relação, as autoras salientam que a relação universidade-indústria intensificou-se recentemente nas economias industrializadas.

Esta aproximação acelerou, dizem, devido a novas e prometedoras plataformas tecnológicas, como ciência da computação, biologia molecular ou ciência dos materiais; ao crescente conteúdo científico e técnico da produção industrial; à necessidade de novas fontes de financiamento da pesquisa académica; e à proeminência de políticas governamentais que visam aumentar o retorno da pesquisa financiada com dinheiros públicos através do estímulo da transferência de tecnologia da universidade para as empresas.

FONTE: Agência Lusa (Notícia SIR-7957295)

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