Homenagem a Maria de Sousa junta especialistas imunologia no Porto Bartender 2 Março

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Catorze especialistas mundiais em imunologia, 10 dos quais portugueses, vão participar sexta-feira, no Porto, num simpósio de homenagem à cientista Maria de Sousa, que nos anos 1960 delimitou o território dos glóbulos brancos designados por linfócitos T.

“É a primeira vez que se torna evidente que há uma escola de imunologia portuguesa”, disse à Agência Lusa Maria de Sousa, salientando que sete dos investigadores portugueses esperados no simpósio estão a trabalhar no estrangeiro, nomeadamente em Paris (França), Londres (Inglaterra) e Bellinzona (Itália).

O encontro “Nós linfáticos – 40 anos depois” é organizado pelo casal Benedita Rocha e António Freitas, dois ex-alunos de Maria de Sousa actualmente a trabalhar em duas instituições parisienses.

O simpósio terá ainda a presença de outros sete “filhos” (alunos) e “netos” (alunos de alunos) de Maria de Sousa – todos investigadores e professores – em Paris, Paulo Vieira e Ana Cumano, Londres, Henrique Veiga Fernandes, Bellinzona, Afonso Almeida, e Porto, Margarida Correia Neves (IBMC), Alexandre do Carmo (IBMC) e Pedro Rodrigues (ICBAS).

Bruno Silva Santos, a desenvolver investigação em Londres, é o único imunologista português que vai participar no encontro que não “descende” de Maria de Sousa, tendo feito a sua formação inicial em Lisboa.

O simpósio conta ainda com a presença de Avrion Mitchison, de Londres, o único mais velho do que Maria de Sousa, e de outros três estrangeiros que prosseguiram as investigações da cientista portuguesa, Reina Mebius (Amesterdão), Reinhold F¸rster (Hannover) e Takeshi Watanabe (Yokohama).

“Os portugueses tiveram uma contribuição como mapeadores. Fiz o Mapa dos Órgãos Periféricos Linfóides, os gânglios linfáticos e o baço”, referiu Maria de Sousa, salientando que os investigadores mais novos estão a confirmar, com meios técnicos muito mais avançados, as descobertas que fez há 40 anos.

Maria de Sousa recordou que a sua investigação foi feita com recurso a microscópios e auto-radiografia, observando ratos a que se retirou no período neo-natal o timo, um órgão que se desenvolve nos mamíferos jovens, mas que depois se atrofia.

Sem o timo, foi possível verificar que ficavam zonas vazias, o que permitiu definir o território dos linfócitos T (de timo), separando as áreas dependentes do timo das restantes.

Maria de Sousa, vencedora do Prémio Bial em 1994, licenciou-se em Medicina na Faculdade de Medicina de Lisboa e doutorou-se em Imunologia na Universidade de Glasgow, Escócia, regressando a Portugal em 1985.

Actualmente é professora catedrática do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS) e coordenadora do Programa Graduado em Áreas da Biologia Básica e Aplicada (GABBA), ambos da Universidade do Porto, além de associada de escolas e institutos dos Estados Unidos e Reino Unido.

O simpósio de sexta-feira conta com o apoio do Instituto de Biologia Molecular e Celular (IBMC) da Universidade do Porto, do “American Portuguese Bionmedical Research Fund” (APBRF) e do GABBA.

FONTE: Agência Lusa (Notícia SIR-7786668)

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