Nanotecnologias dominarão trabalhos de novo Instituto Ibérico 8 Fevereiro

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As nanotecnologias e a computação avançada serão as principais prioridades do novo Instituto Ibérico de Investigação e Desenvolvimento, um projecto conjunto de Portugal e Espanha que estará a “produzir ciência” em 2008.

O anúncio foi feito hoje em Madrid pelo ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Mariano Gago, que se deslocou à capital espanhola para participar na primeira reunião da comissão bilateral técnica que está a preparar o relatório para a instalação do novo pólo de investigação.

Financiado em partes iguais pelos dois países, o novo pólo, a instalar durante o próximo ano, terá um orçamento previsto de instalação da ordem dos 30 milhões de euros e um orçamento anual médio de funcionamento de aproximadamente o mesmo valor.

Para Mariano Gago, a ambição dos dois países é criar um pólo de investigação que “tenha relevância à escala mundial, que seja uma instituição de referência no seu domínio, em todo o mundo, e que consiga atrair cientistas e técnicos de todo o mundo”.

“Queremos criar um organismo aberto ao mundo e com a ambição de se tornar num instituto relevante à escala internacional”, disse aos jornalistas.

O ministro considerou que, a funcionar em pleno, o centro pode atrair mais investimento, tornando assim a Península Ibérica “num centro atractivo” para empresas que trabalhem no sector.

“Um centro como este, na área de nanotecnologia (de nível microscópico, à escala de átomos e moléculas), é um centro que terá tendência a atrair para a sua órbita a criação de muitas empresas”, disse.

“É um centro onde passarão muitos especialistas e que serão disputados pelas empresas para ali ir trabalhar.

Muitos sairão do centro para criar empresas e é isso que dará a vantagem competitiva gigantesca a Portugal e Espanha, no sector”, afirmou.

Sedeado em Braga, o instituto será inicialmente chefiado por José Ribas, um especialista espanhol em nanotecnologias, da Universidade de Santiago de Compostela, devendo integrar 200 investigadores e igual número de outros funcionários e quadros técnicos.

Mariano Gago disse que a área principal de intervenção do instituto será a das nanotecnologias e a segunda prioridade será a análise de técnicas de informática, particularmente no que toca a computação avançada, e, em menor prioridade, áreas relacionadas com as nanotecnologias, como as ciências biológicas e matemáticas e “os riscos de disseminação de nanopartículas”.

O instituto apostará quer nas parcerias com empresas do sector “que contribuam para a sua relevância” – e que poderão acabar por injectar cerca de 30 por cento do orçamento total do pólo -, quer com universidades ibéricas e de outros países.

Este é considerado um dos acordos emblemáticos da última cimeira luso-espanhola, que decorreu em Novembro em Évora.

“Foi o acordo mais importante e o mais inovador. É a primeira vez que Portugal e Espanha decidem criar e gerir em conjunto uma instituição de investigação, de natureza internacional”, disse.

A delegação portuguesa técnica que está em Madrid inclui Luís Magalhães, da Agência Nacional para a Sociedade do Conhecimento, Jorge Sentieiro, presidente da Fundação para a Ciência e Tecnologia, e Virgínia Correia, directora do gabinete de Relações Internacionais da Ciência e do Ensino Superior.

A comissão bilateral técnica deverá acordar hoje o conteúdo do relatório final de instalação do pólo conjunto, apresentando dois relatórios de progresso em Maio e Julho e o documento final em Outubro, a tempo de ser acordado na próxima cimeira luso-espanhola, em Novembro.

O relatório final deverá incluir, entre outros aspectos, os estatutos jurídicos, fiscal, internacional e de quadro de pessoal; os órgãos de governo do instituto (de gestão, de estratégia, de avaliação científica interna e condução científica externa) e ainda o plano de instalação dos laboratórios.

Se esse calendário previsto se concretizar, Mariano Gago antecipa que o processo de instalação possa arrancar logo em 2007, com um prazo “muito rápido” de um ano para que sejam recrutados os quadros técnicos, administrativos e outros, para a aquisição de equipamento e para construção de laboratórios e oficinas.

Isso permitiria que em 2008 o pólo de investigação possa estar “já a produzir ciência”, disse ainda.

FONTE: Agência Lusa (Notícia SIR-7717751)

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