Aula sobre nascimento, vida e morte de estrelas aberta ao público 7 Fevereiro
Comments Off
Um astrofísico da Universidade de Lisboa vai explicar o processo de formação das estrelas, num encontro aberto ao público, designado “à Conversa com os Cientistas”, que decorre sexta-feira à noite na Casa de Santa Maria, em Cascais. De acordo com os promotores da iniciativa, o Núcleo Interactivo de Astronomia (NUCLIO), este encontro insere-se nas sessões públicas dedicadas à Astronomia que mensalmente são organizadas em colaboração com a Câmara Municipal de Cascais.
Da parte da tarde decorrem os “Laboratórios de Astronomia”, um programa dirigido às escolas, em que os jovens em idade escolar observam o Sol através de um Telescópio especial e participam em alguns ateliers, que vão das simples “pinturas até brincadeiras para tentar perceber o tamanho do sistema solar”, disse Rosa Doran, uma das responsáveis do NUCLIO. A partir das 21:30, o astrofísico José Carlos Correia, investigador na Universidade de Lisboa, irá falar com as pessoas presentes no encontro “à Conversa com os Cientistas” sobre a forma como as estrelas se formam.
De acordo com José Correia, “a conversa será algo informal” sobre a sua área de investigação – formação de estrelas – em que o astrofísico irá explicar de uma forma simples e acessível como e onde se formam as estrelas e quais os processos físicos que estão por detrás do seu nascimento. José Correia vai mostrar imagens de nuvens de gás (hidrogénio) e poeira (pequenos grãos mais pequenos do que as partículas do fumo do tabaco) que pelo efeito da gravidade se vão agregando.
Ao fim de vários milhões de anos essa matéria vai aquecendo e gerando energia através de reacções nucleares, disse, acrescentando que é assim que nascem as estrelas e que são as reacções nucleares que fazem com que as estrelas brilhem durante milhões de anos. Uma estrela é, como os astrofísicos costumam designar, “um reactor termonuclear governado pela gravidade”, explica. Segundo o astrofísico, as estrelas são o constituinte básico do universo e existem em maior quantidade do que grãos de areia em todas as praias do planeta.
As estrelas nascem no meio interestelar (espaço entre as estrelas onde existem as nuvens de gás e poeira) e normalmente a partir de restos de uma outra estrela. O cientista sublinha que este é “um fenómeno difícil de estudar porque como ocorre dentro de um nevoeiro, não é possível observar através do telescópio óptico”, mas sim de um método designado por radiação infra-vermelha. Durante o encontro, José Correia apresentará imagens e filmes dos locais de formação estrelar, como a nebulosa de Orion. Afirmando que se debruçará pouco sobre o fim da vida das estrelas, o astrofísico disse que vai apresentar uma “perspectiva global do nascimento, vida e morte”, mas que falará sobretudo da formação das estrelas. Segundo José Correia, a morte das estrelas pode dar-se de forma pacífica ou atribulada.
Uma estrela como o sol morre sem explosão, vai expandir-se, transformar-se numa gigante vermelha e no final fica uma anã branca, uma estrela fria que não emite luz. Uma estrela maior, com pelo menos oito vezes a massa do Sol, tem um processo mais turbulento: transforma-se numa supernova, uma estrela velha que explode, “termina a vida de forma violenta e catastrófica”, explicou. Quando explode, a estrela lança para o meio interestelar as suas camadas mais externas, que vão dar origem a outras estrelas, e o que sobra dá origem a um buraco negro ou uma estrela de neutrões.
FONTE: Agência Lusa (Notícia SIR-7711707)


