Investigação no Porto pioneira na procura terapia para disfunção eréctil 20 Janeiro
Comments Off
Uma equipa do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS) da Universidade do Porto está a investigar o papel da molécula adenosina, capaz de controlar a transmissão de impulsos nervosos, no tratamento da disfunção eréctil.
O coordenador da equipa, Paulo Correia de Sá, disse hoje à Agência Lusa que este trabalho pioneiro começou há apenas dois anos, mas já registou “resultados surpreendentes”, que poderão conduzir à criação de um novo fármaco.
“Somos dos poucos grupos no Mundo dedicados a esta área”, disse o investigador, revelando que a equipa já está a trabalhar em tecidos humanos, depois de obter autorização do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida.
Os investigadores do ICBAS estão a aplicar neste estudo o mesmo princípio já utilizado desde o final dos anos 1980 pela equipa na investigação do papel da adenosina em doenças neuromusculares.
A adenosina é uma molécula existente em todas as células do organismo que é capaz de controlar simultaneamente o grau de lesão dos tecidos e a transmissão dos impulsos nervosos para os músculos.
“O stress, a falta de oxigénio e a falta de glicose são alguns dos estímulos que fazem com que haja uma maior produção destas moléculas”, referiu Correia de Sá, explicando que este aumento de produção diminui as reservas energéticas.
“Queima-se energia e queimar energia é partir o ATP (adenosina tri-phosphato), a chamada ‘molécula da vida’, que é degradada para produzir energia”, referiu.
A investigação do ICBAS na procura de uma terapia para doenças neruromusculares, que prossegue com testes em animais, foi alargada há dois anos à disfunção eréctil.
“É um trabalho menos evoluído, mas com a vantagem de estarmos já a trabalhar em material de doente”, salientou Correia de Sá, referindo que estão a ser utilizados nos testes laboratoriais tecidos que têm sempre de ser retirados a homens que sofrem de disfunção eréctil.
Os primeiros resultados deste estudo, feito em colaboração com o Serviço de Urologia do Hospital de Santo António, Porto, já foram enviados para publicação numa revista científica da especialidade.
Tal como noutras doenças em que há progressiva perda de força muscular, o objectivo é criar um fármaco a partir de substâncias químicas muito semelhantes à adenosina, “que não sejam tão metabolizadas pelo organismo”.
“O princípio é sempre o mesmo. A adenosina é uma substância endógena. Sabemos que está sempre a ser produzida”, afirmou o investigador, realçando que o que se pretende é controlar a actividade dos receptores da molécula, aumentando ou diminuindo a sua produção, bem como o seu tempo de vida.
Correia de Sá salientou que “todos os tratamentos anteriores tinham como alvo os músculos”, mas com estas investigações, que decorrem paralelamente em todo o Mundo, será possível actuar sobre os neurónios que comandam os músculos.
Segundo o professor do ICBAS, a investigação mais avançada na aplicação deste princípio é a que está a ser desenvolvida por um grupo de Estocolmo, na Suécia, para a doença de Parkinson, já com testes em seres humanos.
FONTE: Agência Lusa (Notícia SIR-7659269)


