Cientista português coordena estudo internacional na Antártida 9 Janeiro

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Um cientista português vai coordenar a partir de terça-feira uma equipa internacional que vai instalar uma rede de monitorização na Antártida para medir a temperatura do solo congelado e conhecer melhor a sua relação com o clima.

Gonçalo Vieira, investigador no Centro de Estudos Geográficos, vai estar nas Ilhas Setlands do Sul (Península Antárctica) a coordenar uma equipa de investigadores espanhóis, suíços e alemães num projecto que visa estudar o solo gelado daquela região e as consequências das mudanças climáticas.

Nesta região, as alterações do clima têm sido das mais significativas da Terra, com um aumento das temperaturas médias do ar de cerca de 2,5ºC nos últimos 50 anos.

De acordo com o investigador, também professor da Universidade de Lisboa, o Projecto Permamodel “é uma investigação internacional para estudar o ‘permafrost’, ou seja, solo ou rocha que permanece a temperaturas inferiores a 10ºC por períodos muito longos, e que portanto não funde”.

Este trabalho consiste em instalar uma rede de monitorização, através da perfuração do solo, para medir as temperaturas a vários metros de profundidade, explicou o cientista.

A importância deste trabalho prende-se com o facto de “a temperatura do solo estar ligada às temperaturas climáticas”, pois “quando o solo está congelado não há trocas químicas entre o solo e a atmosfera, porque o ‘permafrost’ é como um armazém de carbono que está isolado”.

Em contrapartida, quando o gelo se funde, o ambiente fica com muita água e são libertados gases de efeito de estufa: metano e dióxido de carbono, explicou Gonçalo Vieira.

Segundo o investigador, no Ártico existe já uma boa rede de monitorização, mas não na Antártida, onde os pontos de monitorização existentes são muito escassos e dispersos.

Em todo o continente há apenas 18 perfurações em funcionamento, a maioria das quais monitoriza apenas as temperaturas na camada activa (nível superficial do solo que gela e degela sazonalmente).

Assim, ao estender à Antártida a rede de monitorização que já existe no Ártico passará a haver uma “rede no globo que permitirá aferir e afinar os modelos atmosféricos”, adiantou.

Os trabalhos incidirão na manutenção de equipamentos de monitorização de temperatura instalados em anos anteriores, instalação de novos sensores, cartografia geomorfológica e prospecção geofísica do solo.

Este último aspecto será central na campanha e tem como objectivo a selecção dos melhores locais para fazer novas perfurações para monitorização da temperatura do solo.

Gonçalo Vieira afirmou que actualmente estão instalados na Antártida termómetros que medem a temperatura de hora a hora, mas agora, com as perfurações de 25 a 30 metros de profundidade passará a ser possível conhecer melhor a relação entre o clima e o ‘permafrost’.

O investigador sublinhou a importância de conhecer bem as temperaturas das várias camadas do solo, porque se uma camada for mal conhecida não se pode fazer um estudo correcto e uma boa previsão do que vai acontecer no futuro em termos de clima.

As actividades de investigação são actualmente financiadas quase exclusivamente pelo Programa Antárctico Espanhol.

Esta actividade desenvolve-se em colaboração com a Associação de Professores de Geografia e com o Oceanário de Lisboa, visando preparar acções de divulgação e educação mais alargadas sobre as regiões polares que decorrerão no Ano Polar Internacional 2007-08.

A campanha decorrerá até 18 de Fevereiro na Ilha Livingston, uma ilha montanhosa com 90 por cento da superfície coberta por glaciares, e na Ilha Deception, um vulcão activo.

Durante a campanha de investigação estará disponível na Internet um diário de campanha que será actualizado, no site http://permamodel.no.sapo.pt.

FONTE: Agência Lusa (Notícia SIR-7629284)

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