Laboratórios: Proposta de reforma será apresentada em Maio de 2006 13 Dezembro

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O governo vai proceder a uma reforma dos laboratórios do Estado, que carecem de pessoal e de novas infra- estruturas, no âmbito de uma proposta a ser apresentada em Maio de 2006, afirmou hoje o ministro da Ciência.

Durante uma visita às instalações do Laboratório Nacional de Investigação Veterinária (LNIV), o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Mariano Gago, e o ministro da Agricultura, Jaime Silva, aproveitaram para falar da reforma dos laboratórios do Estado que pretendem levar a cabo.

Trata-se de uma reforma que terá por base avaliações internacionais já feitas e cuja proposta será apresentada em Maio no Conselho de Ministros, afirmou Mariano Gago, que considera que esta reforma “tem que ocorrer”.

“Os laboratórios vivem diferentemente, são sectores que foram desenhados e construídos em época diferente, com uma organização de Estado diferente”, disse.

“Não é possível uma reforma sem que seja realmente profunda, ainda que isso não esteja nas nossas tradições, que são normalmente de mecanismos adaptativos, sem liquidar o que está mal”, acrescentou.

Falando aos jornalistas, o ministro da Ciência não adiantou porém quais as mudanças previstas, mas reconheceu alguns dos principais problemas com que se deparam actualmente os laboratórios do Estado.

A falta de qualificação e rejuvenescimento do pessoal é uma das principais dificuldades, de que é exemplo o facto de em alguns laboratórios a média de idade ser muito elevada, disse.

Outros problemas graves são “infra-estruturas físicas velhas” e “anomalias” que se prendem com aspectos históricos, como a existência de laboratórios no centro da cidade ou a ocupar centenas de hectares desaproveitados.

No próprio LNIV, durante a visita às instalações, os ministros da Ciência e da Agricultura ouviram dos funcionários queixas de falta de pessoal e de espaço.

Jaime Silva considerou estas queixas “legítimas”, tanto que já há alguns anos se pensa em criar um novo laboratório, o que ainda não foi possível, devido à crise orçamental.

Contudo, o ministro adiantou que embora não possa garantir a sua construção no quadro do próximo orçamento, essa possibilidade é equacionada “no médio prazo”.

A propósito, Jaime Silva destacou o “importante trabalho” desenvolvido pelo LNIV, como a detecção de casos de “língua azul” (doença causada por um vírus e que afecta ovinos e bovinos) e na investigação da gripe das aves (da qual não foi ainda detectado nenhum caso em Portugal).

“Para a gripe das aves estava previsto [o LNIV] fazer 1.500 análises e foi feito mais do dobro”, sublinhou, acrescentando que o laboratório efectuou mais de quatro mil análises, no total, das quais mais de 1.500 em aves selvagens.

Questionado pelos jornalistas sobre de que forma é que o Governo pretende proceder à reforma dos laboratórios, implicando mais pessoal e novos edifícios, uma vez que assume a falta de verbas, Mariano Gago respondeu que “os laboratórios do Estado possuem neste momento um património imobiliário absolutamente gigantesco”.

“Não há verba, mas há património. Há instituições que têm um enorme património imobiliário, designadamente não utilizado, e que é fundamental para a sua reestruturação”, salientou.

O ministro adiantou ainda que no âmbito desta reforma pretende pôr em prática um mecanismo muito utilizado por outros países que é o de estabelecer uma “intensa colaboração entre universidades e laboratórios”.

A visita às instalações do LNIV foi precedida da cerimónia de tomada de posse da nova directora, Maria Inácia Correia de Sá, que fez uma breve apresentação daquele laboratório, onde desenvolve actividade profissional desde 1973, da sua “missão” e do trabalho aí desenvolvido.

O LNIV é duplamente tutelado, pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e pelo Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas e faz a cobertura nacional de todos os aspectos relacionados com saúde animal e saúde pública.

FONTE: Agência Lusa (Notícia SIR-7567424)

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