Évora: Docente da Universidade premiada por trabalho sobre inteligência social 6 Dezembro
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Uma docente da Universidade de Évora Adelinda Candeias foi este ano premiada por um trabalho de investigação relacionado com a inteligência social dos jovens, que envolveu a criação de uma prova de avaliação psicológica.
O prémio, instituído pelo Centro de Estudos de Gestão e Organização Científica (CEGOC), contempla 2.500 euros e a publicação do trabalho, sendo hoje, ao final da tarde, entregue à docente, em cerimónia na Universidade de Évora.
Em declarações à agência Lusa, a professora auxiliar do Departamento de Psicologia congratulou-se hoje por a investigação, fruto do seu trabalho de doutoramento ter sido distinguida: “Ao ser publicada no catálogo de 2006 do CEGOC, vai ficar disponível para outros psicólogos”.
A Prova de Avaliação de Inteligência Social por si concebida, denominada PCIS-R, explicou, serve para avaliar a habilidade dos jovens para resolverem problemas em situações de relação com os outros (interpessoais), liderar processos de comunicação e de mediação de conflitos.
“Esta prova reveste-se de uma utilidade prática crucial para avaliar e diagnosticar com eficácia as capacidades dos jovens para resolverem situações interpessoais, permitindo depois encaminhar os que têm lacunas para programas promotores das suas competências sociais e emocionais”, frisou.
Depois de ter sido testada para o trabalho de doutoramento, em 2002, a PCIS-R foi novamente aplicada este ano a uma amostra representativa da população portuguesa entre os 12 e os 18 anos, constituída por 320 jovens.
Ao contrário dos testes tradicionais de avaliação psicológica, constituídos por “perguntas às quais o jovem responde”, a docente esclareceu que a sua prova tem um “formato original”, com as situações interpessoais apresentadas “em cartões que retratam acontecimentos da vida quotidiana”.
“O jovem é posicionado perante situações sociais que vive na escola, entre os seus pares e na família. É um formato mais aliciante para ele e mais refinado para o psicólogo, pois, fornece informação minuciosa sobre o funcionamento cognitivo, emocional e comportamental do avaliado”, acrescentou.
Ao decidir conceber esta prova, Adelinda Candeias baseou-se no trabalho que, ao longo dos últimos 15 anos, desenvolveu junto dos jovens, como psicóloga, durante o qual diz ter-se apercebido que “o relacionamento social” daqueles era feito de uma forma “muito pouco estruturada”.
“O desenvolvimento dos contactos com os outros é feito na escola e na família, sendo que, no seio desta última, há cada vez menos tempo disponível para dedicar aos jovens”, disse.
Por isso, considerou ser “urgente” dispor de instrumentos que permitissem perceber o que é que o jovem já sabe fazer, como se posiciona na relação com os outros e, ao mesmo tempo, dar-lhe pistas para se desenvolver, colocando-o perante situações sociais reais que enfrenta no dia-a-dia.
Agora, Adelinda Candeias está a preparar duas novas versões da PCIS-R, uma delas dirigida a crianças, que ainda se encontra “numa fase preliminar”, e outra para avaliar adultos, que deverá começar a ser testada “ainda este ano”.
O prémio CEGOC distingue trabalhos de investigação que tenham como objectivo produzir provas de avaliação psicológica originais, de elevada qualidade técnica, com utilidade prática e que permitam responder às necessidades da população portuguesa.
FONTE: Agência Lusa (Notícia SIR-7549797)


