Parlamento deve ter órgão de aconselhamento científico 22 Novembro

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A presidente da associação Viver a Ciência, Maria Manuel Mota, defendeu hoje a criação de um organismo de aconselhamento científico do Parlamento, como forma de diminuir o “défice de fundamentação científica” que diz existir nas decisões legislativas.

“Era muito importante criar um organismo de aconselhamento científico do Parlamento, como existe em Inglaterra, de forma a que os discursos políticos pudessem ser mais fundamentados em estudos e pesquisas”, afirmou à Lusa Maria Manuel Mota, à margem de uma conferência sobre ciência e decisão política, promovida pela associação na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa.

Segundo a associação, os investigadores queixam-se frequentemente de não serem ouvidos pelos deputados e governantes em questões relativamente às quais poderiam dar um contributo importante, como a seca e os incêndios florestais, por exemplo.

Na conferência, os cientistas analisaram a experiência do Parliamentary Office of Science and Technology (POST), um organismo independente de aconselhamento científico das duas câmaras parlamentares britânicas, existente há cerca de duas décadas.

O POST, que reúne informação científica sobre as mais diversas áreas para assessorar o trabalho dos deputados britânicos, faz parte de uma rede europeia que integra instituições congéneres de outros 14 países europeus, na qual Portugal não tem qualquer representação.

Para o ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, que presidiu à sessão inaugural da conferência, este organismo constitui um caso de sucesso que deveria ser estudado pelo Parlamento português.

“Só há vantagem em intensificar a informação científica a nível da tomada de decisões políticas. A experiência britânica constitui um bom exemplo a esse nível, que a Assembleia da República deveria procurar conhecer melhor”, afirmou à Lusa, no final da conferência.

Promovida em colaboração com o Instituto de Medicina Molecular, esta conferência integra-se no âmbito do projecto “A Ciência e o Parlamento”, que tem como objectivo a criação de hábitos de consulta mútua entre investigadores e políticos.

A Associação Viver a Ciência, presidida pela bióloga Maria Manuel Mota, tem como objectivo a divulgação do conhecimento científico produzido em Portugal e a promoção do envolvimento da sociedade e da opinião pública na investigação.

FONTE: Agência Lusa (Notícia SIR-7512988)

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