Detecção remota ajuda a prever risco de incêndio e problemas ambientais 21 Novembro

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Investigadores portugueses estão a colaborar num projecto europeu de detecção remota (imagens recolhidas por satélite e via aérea) que pretende avaliar os riscos de incêndio e minimizar problemas ambientais, observando a zona da Chamusca.

“O objectivo é desenvolver uma plataforma para analisar e processar imagens por detecção remota”, explicou à Agência Lusa Pedro Pina, do Instituto Superior Técnico (IST), uma das instituições portuguesas desta rede, a par da Associação para o Desenvolvimento das Telecomunicações e Técnicas de Informática (ADETTI).

Este projecto pioneiro, conhecido como PIMHAI, pretende revolucionar métodos no domínio do ambiente e envolve, além de Portugal, mais três países do Arco Atlântico (Espanha, França e Reino Unido).

Cada país está a desenvolver metodologias para avaliar um problema específico: em Espanha, o tema é a qualidade das águas, em França os cientistas investigam a doença das vinhas e no Reino Unido monitorizam igualmente os campos cultivados.

Os investigadores portugueses optaram por trabalhar no concelho da Chamusca, uma zona com grande diversidade de paisagem a nível de campos cultivados e floresta que viu 70 por cento da sua superfície florestal desaparecer nos incêndios de 2003.

As imagens são recolhidas a partir de sensores instalados em aviões e destinam-se a criar um mapa temático com classes de ocupação do solo.

“Já tínhamos algumas imagens da Chamusca antes dos fogos. Agora vamos captar novas imagens para ver a evolução das zonas ardidas”, adiantou o investigador do IST.

A metodologia vai permitir, por exemplo, analisar a velocidade de regeneração da vegetação contribuindo para avaliar os riscos de incêndio no futuro, continuou Pedro Pina.

“Quanto mais rapidamente se regenerar a floresta, mais facilmente pode arder”, justificou.

Os países envolvidos no PIMHAI vão depois trocar metodologias entre si com o objectivo de projectar e desenvolver tecnologias preventivas de intervenção e reabilitação para minimizar os efeitos negativos da intervenção humana e dos desastres naturais no ambiente.

A plataforma de processamento de imagens vai integrar um conjunto de ferramentas necessárias para apoiar a monitorização, gestão, previsão e ajuda à decisão no domínio do ambiente.

Além da previsão de fogos e inventário de espécies florestais, vai ser possível analisar o ambiente costeiro (erosão e monitorização do litoral, poluição) e fazer “agricultura de precisão” com dados relativos à estimativa de colheitas, detecção de doenças e tratamento controlado dos campos.

A cartografia regional da ocupação do solo e a gestão urbana são outras aplicações possíveis.

O projecto PIMHAI vai ser apresentado no dia 28 de Novembro durante um seminário onde vão ser divulgados alguns resultados do trabalho experimental.

O PIMHAI, com a duração de três anos, é apoiado pelo programa comunitário INTERREG e foi lançado em Janeiro de 2004.

A rede é constituída por oito instituições parceiras e sessenta investigadores.

FONTE: Agência Lusa (Notícia SIR-7508827)

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