Ria Formosa: Peritos querem estudar comportamento de peixes com valor comercial 10 Novembro

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A protecção dos recursos da Ria Formosa através do conhecimento do comportamento dos peixes com valor comercial é o principal objectivo de um projecto impulsionado pela Universidade do Algarve, que prevê até ao final do próximo ano marcar 5.000 peixes.

O projecto, que está a ser desenvolvido por investigadores da Faculdade de Ciências do Mar e Ambiente (FCMA), inclui a marcação de milhares de peixes juvenis, que se espera que sejam depois recapturados por pescadores ou pelos próprios técnicos.

A marcação consiste em introduzir no corpo do peixe uma marca de plástico azul em forma de tubo que contém inscrito o número de referência do peixe, a identificação da instituição universitária e o contacto telefónico.

Segundo disse à Lusa o coordenador do projecto, Karim Erzini, a ideia é que as marcas lhes sejam depois devolvidas pelos pescadores, mesmo que o peixe seja reposto na água, ou lhes sejam fornecidos os dados por telefone ou Internet, estando já disponível um formulário on- line.

“Penso que o retorno não será difícil, pois os pescadores já estão habituados a este tipo de estudos”, afirmou, acrescentando que está prevista a atribuição de uma recompensa por cada peixe capturado.

Segundo um dos investigadores envolvidos no projecto, Jorge Gonçalves, uma das mais valias do estudo é a obtenção de dados sobre a abundância ou não das espécies comerciais ali existentes, essenciais para uma política integrada de gestão da pesca artesanal.

“Se detectarmos uma descida abrupta na quantidade de determinada espécie iremos alertar o sector, pois a gestão das pescas passa também por controlar o número de pescadores”, observou.

Os investigadores, que marcaram até agora 2.300 peixes, entre sargos, safias, choupas, robalos e douradas, vão também utilizar o sistema de telemetria para observar o comportamento dos peixes.

O sistema, que ainda está em fase de testes, consiste na introdução de um pequeno aparelho no peixe, que emitirá sinais sonoros captados por hidrofones, que podem ser colocados no fundo do mar ou transportados em barcos.

O equipamento permitirá seguir a movimentação dos peixes em tempo real, mas apenas durante sete a quinze dias, pois a duração da pilha contida nos aparelhos é muito curta, explicou à Lusa outro dos investigadores ligados ao projecto, David Abecassis.

O estudo, orçado em 86.500 euros, estende-se até ao final do próximo ano e será totalmente financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT).

Ao todo são cerca de dez os investigadores aliados ao estudo, que está a ser desenvolvido pelo Grupo de Investigação Pesqueira Costeira, inserido no Centro de Ciências do Mar da FCMA.

FONTE: Agência Lusa (Notícia SIR-7474684)

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