Resolver enigmas e saber quem fomos através do ADN 7 Novembro

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A confirmação da morte de Hitler e Eva Braun ou a autenticidade do coração do delfim francês Luís XVII são alguns dos enigmas da História para os quais o ADN, enquanto técnica de identificação, permitiu encontrar respostas.

Além da prova da verdade histórica, os testes de ADN contribuem também para a descoberta da identidade das muitas vítimas de catástrofes naturais ou de origem humana, que há 20 anos atrás permaneceriam desconhecidas se os restantes métodos de identificação não pudessem ser aplicados, realçou à Agência Lusa o presidente do Instituto Nacional de Medicina Legal (INML), Duarte Nuno Vieira.

O também professor catedrático da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra é um dos oradores convidados para a conferência “Como saber quem éramos: identificação e ADN, História e Catástrofe”, que se realiza segunda-feira no âmbito do ciclo Ao Encontro da Medicina, da Fundação Calouste Gulbenkian.

Em situações que envolvam vítimas humanas, a identificação é crucial não só no plano “ético e humanista”, na medida em que a devolução do corpo à família contribui para um luto menos penoso, mas também porque permite solucionar problemas que resultam do desaparecimento de uma pessoa, como questões de heranças, ou seguros, que só são pagos quando existe um certificado de óbito, salientou o especialista.

O ADN é a abreviatura de Ácido Desoxirribonucleico e é onde está contida toda a nossa informação genética.

A utilização de ADN como técnica de identificação surgiu há cerca de 20 anos e é hoje um método a que se recorre quando, devido ao estado do corpo da vítima, não é possível utilizar com segurança outros métodos mais simples, como a identificação visual, a efectuada através de documentos, dos registos clínicos ou das impressões digitais da vítima.

Na investigação histórica, que assenta frequentemente na pesquisa em descendentes da pessoa que se pretende identificar, o ADN mitocondrial é o tipo de ADN mais importante, uma vez que é herdado em linha directa através da mãe, explicou Duarte Nuno Vieira.

Porém, ressalvou o presidente do INML, o ADN também não constitui uma resposta milagrosa a todos os problemas de identificação, dado que possui limitações.

No caso de catástrofes com milhares de vítimas, em que os corpos estão em muito mau estado, acaba por ser extremamente difícil, se não quase impossível, proceder à sua identificação.

Há também que ter em conta as estruturas de que cada país dispõe para efectuar este tipo de exame e, em alguns casos, motivos de saúde pública que levam a que as vítimas sejam enterradas com a maior brevidade possível.

A escolha do método de identificação a utilizar tem, assim, de ter em conta as condições em que essa identificação vai ser feita, defendeu Duarte Nuno Vieira.

E, no futuro – argumentou -, talvez venha a ser ainda possível recuar mais no passado através da identificação, já que “as potencialidades e técnicas da pesquisa através do ADN” estão, também elas, a evoluir.

FONTE: Agência Lusa (Notícia SIR-7463738)

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