Melhorar imagem ciência exige aposta rede internacional 19 Outubro
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A melhoria da imagem da ciência portuguesa exige uma maior presença nas redes internacionais, reforçando o apoio público a instituições que se destacam em projectos no estrangeiro, defendeu ontem o professor universitário Manuel Sobrinho Simões. Falando na sessão de debates públicos “Portugal Marca”, organizados pelo Ministério da Economia e Inovação, o investigador do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto defendeu uma “maior aposta na capacidade da rede internacional”, nomeadamente criando e reforçando ligações a investigadores portugueses no estrangeiro.
“Portugal tem imensas histórias de sucesso individual na cultura e ciência, mas sempre aproveitou pouco os fora-de-série que tem por esse mundo fora”, afirmou na sessão de hoje, que contou com a participação dos ministros da Economia e da Ciência. Outra aposta das autoridades, defendeu, deverá centrar-se nas relações entre instituições de Portugal e de países como o Brasil, aproveitando o “capital de goodwill [boa vontade]” existente para lançar projectos conjuntos. Como exemplo, criticou que as comemorações dos 500 anos de descobrimento do Brasil tenham passado “com muita cantoria e manifestações folclóricas”, mas sem que se tenha “reforçado a imagem que a ciência portuguesa tem” no país sul-americano, com o qual até estão em curso projectos de investigação conjuntos.
Para Sobrinho Simões, é necessário que os governantes portugueses tenham “coragem” de “recompensar instituições que conseguem ganhar projectos internacionais de qualidade”. Nesse sentido, defendeu ainda, deve ser reforçada a avaliação dos projectos de investigação e pós-graduação nas universidades portuguesas, instituições que são hoje “um travão ao desenvolvimento do país”, por não contribuírem tanto como deveriam.
Também Manuel Paiva, professor da Universidade Livre de Bruxelas, teceu críticas às universidades portuguesas, considerando que “são más, salvo raras excepções”, e deveriam estar sujeitas a um mais rigoroso sistema de monitorização. “Claro que dói muito a quem é avaliado, mas a avaliação é o elemento essencial da melhoria da investigação em Portugal”, afirmou.
Os objectivos do programa Portugal Marca para a ciência são “de uma ambição gigantesca”, adiantou, até porque “deve ser difícil transmitir para o mundo uma imagem de um país onde os habitantes têm tão má opinião de si próprios”. Para ex-ministra Maria João Rodrigues, actual presidente do Conselho das Ciências Sociais da Comissão Europeia, é necessário que as autoridades “dêem oportunidade de se internacionalizar amplamente quem actua e produz a nível de excelência no estrangeiro”. A reputação, afirmou ainda, contribui para o valor simbólico dos produtos portugueses, e é necessário “reconstruir a reputação” que o país tem actualmente no estrangeiro, o que passa não só por uma melhor comunicação, mas por uma efectiva “realidade de sucesso”.
Na intervenção que abriu a sessão de hoje, o ministro da Economia destacou o papel da ciência para a construção da imagem do país no estrangeiro. O programa Portugal Marca contempla seis sessões de trabalho nas áreas do Turismo, Empresas, Gastronomia, Design, Arquitectura, Ciência e Cultura, que deverão contar com a participação de mais de 300 peritos. No próximo ano, começará a ser concretizado o lançamento do Plano, a médio prazo, para reposicionar a imagem do país no estrangeiro.
FONTE: Agência Lusa (Notícia SIR-7415902)


