Investigadores apresentam projecto para proteger banco submarino 15 Outubro
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O Departamento de Oceanografia e Pescas (DOP) da Universidade dos Açores apresentou hoje um projecto para transformar um banco submarino ao largo do arquipélago numa área marinha protegida.
Os investigadores do DOP pretendem, desta forma, evitar que as espécies marinhas do banco “Sedlo”, situado a cerca de 100 milhas a Nordeste dos Açores, sejam alvo de um esforço intensivo de captura por parte das embarcações de pesca.
“Este é um desafio novo e interessante, porque é o primeiro monte submarino que pretendemos transformar em área protegida”, salientou Ricardo Serrão Santos, director do DOP, durante um encontro com pescadores e industriais na cidade da Horta.
O monte submarino “Sedlo” fica situado a uma profundidade de 800 metros e tem sido pouco explorado por parte das embarcações de pesca açorianas, sobretudo devido à distância e às correntes marítimas que se verificam na zona.
Segundo explicou, este banco submarino tem características muito especiais, que não existem em outros locais do género, apresentando muitos exemplares de alfocim, uma espécie de peixe com interesse comercial nas ilhas.
O investigador adiantou ainda que este projecto terá de avançar “em diálogo” com os profissionais da pesca, para evitar conflitos de interesses entre a indústria e a investigação.
Opinião idêntica manifestou o sub-secretário regional das Pescas, Marcelo Pamplona, para quem terá de existir “um equilíbrio entre o rendimento dos pescadores e a gestão dos recursos”.
“Este projecto será avaliado pelas restantes associações de pesca e, se houver um acordo da parte dos pescadores, acho que conseguiremos criar uma zona que permitirá verificar como é que vão evoluir as espécies nos próximos anos”, disse o governante.
Marcelo Pamplona realçou ainda que esta é mais uma medida que pretende limitar o esforço de pesca entre as 100 e as 200 milhas do arquipélago, uma zona que, na sequência da liberalização das pescas, pode ser explorada por embarcações estrangeiras.
Para já, algumas associações de pescadores, como a cooperativa “Porto de Abrigo”, não levantam objecções à criação desta área marinha protegida.
Para Liberato Fernandes, responsável da organização de pesca artesanal, estes trabalhos científicos “fundamentam muito bem a necessidade de se evitar pescarias predatórias nas águas” dos Açores.
No seu entender, a criação de uma área marinha protegida em torno de um monte submarino só vem reforçar as posições assumidas pelos industriais da pesca açorianos, que contestam a abertura das águas açorianas às frotas de pesca espanholas.
FONTE: Agência Lusa (Notícia SIR-7404343)


