Crianças no jardim à noite para descobrir mistérios da natureza 22 Setembro

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Dezenas de crianças vão poder vestir a pele de investigadores e passar a noite de sexta-feira num jardim de Lisboa a estudar comportamentos nocturnos de plantas e animais, montar armadilhas para insectos ou observar madeira ao microscópio.

Estas actividades estão a ser organizadas pelo Instituto de Investigação Científica Tropical (IICT), e inserem-se na “Noite Europeia dos Investigadores”, uma iniciativa da Comissão Europeia que visa proporcionar um maior contacto dos mais jovens com a ciência e os investigadores.

Denominada “Nox Tropicorum – à Descoberta dos Ecossistemas”, a iniciativa vai decorrer no Jardim Museu Agrícola Tropical, no Largo dos Jerónimos, e vai permitir que crianças com mais de sete anos participem numa série de actividades lúdicas, preparadas por investigadores do IICT, que as aproximem da ciência.

Segundo a vice-presidente do Instituto, Ana Bessa, apesar de o IICT ter um campo científico “muito abrangente, houve uma opção para esta noite por um tema a que as crianças são particularmente sensíveis – os problemas ambientais, a flora, a fauna e espécies em extinção”.

Com as actividades preparadas para a noite dos investigadores, o IICT pretende pôr as crianças a “aprender, perguntar, pensar e trabalhar com animais e plantas, sempre na companhia de investigadores”.

Apesar de lúdicos, os vários ateliers foram preparados para que todas as crianças participantes possam “interagir e fazer” e não somente observar.

Uma das actividades, denominada “Plantas que dormem e animais que não dormem”, as crianças vão perceber que as plantas têm comportamentos à noite que não têm de dia, como o fechar das folhas para dormir.

Os comportamentos dos animais que têm mais actividade à noite vão ser igualmente estudados pelos pequenos investigadores.

Um outro atelier pretende mostrar o número de espécies de insectos que se pensa existir no planeta – 30 milhões -, uma vez que se trata do grupo de seres vivos com maior diversidade de formas.

Esta actividade inclui uma incursão ao jardim onde os jovens irão montar, com a ajuda de um zoólogo, armadilhas luminosas para apanhar insectos.

O “jogo das sementes” é outro dos jogos preparados, com o objectivo de mostrar a diversidade de sementes existente, através do conhecimento da forma, cor e textura.

Posteriormente, “através de um caminho” traçado pelos investigadores, as crianças vão chegar à identificação das plantas que dão essas sementes e descobrir se são arbustos, se são árvores, o que produzem e para que servem, adiantou a responsável.

“à descoberta da madeira” é o nome do atelier que vai levar os mais novos a perceber que as madeiras podem ser muito diferentes, através de várias amostras com características diferentes, em termos de cor, densidade e textura.

Para conhecer o interior da madeira, serão utilizados microscópios que permitirão observar ao mínimo pormenor como as madeiras podem ser tão diferentes.

As crianças interessadas poderão ainda levar para casa um herbário – colecção de plantas secas organizada cientificamente – feito por elas, com a ajuda dos cientistas do IICT.

Para “relaxar”, pais e crianças vão poder desfrutar do prazer de beber chocolate, café ou chá quente, afirmou Ana Bessa, acrescentando que este é também um pretexto para dar a conhecer a origem vegetal destas bebidas, já que muitas crianças “pensam que vêm directamente do supermercado”.

“Vão conhecer as plantas e perceber que dão um fruto ou folhas (no caso do chá) a partir dos quais se faz o café, o chocolate e o chá.

As actividades vão decorrer em três espaços diferentes: “no jardim, no interior do Palácio da Calheta (no cimo do jardim) e numa grande varanda coberta sobre o jardim de buxo”.

Ana Bessa salientou ainda a importância de as crianças levarem lanterna, não só para iluminar o caminho, visto que a noite é de quarto minguante e por isso escura, mas também porque faz parte da sua faceta de exploradores.

Além de todas estas actividades, estão ainda reservadas para as crianças “algumas surpresas” que, obviamente, não foram reveladas.

FONTE: Agência Lusa (Notícia SIR-7341604)

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