Empresa conserva células estaminais em laboratório português 15 Setembro
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Uma empresa de biotecnologia apresentou-se hoje como a primeira com laboratório em Portugal para conservar as células estaminais do cordão umbilical e investigar nesta área, com a qual espera ganhar um milhão de euros no próximo ano.
A Bioteca desenvolve a sua actividade no Instituto Superior Técnico (IST), em Lisboa, onde oferece infra-estruturas (laboratório) para a implementação da tecnologia de criopreservação de células estaminais do cordão umbilical.
As células estaminais têm a capacidade de se transformarem em vários tipos de células e são uma esperança para a regeneração de tecidos afectados por várias doenças.
Além da Bioteca, existem mais duas empresas – a Crioestaminal e a Bebévida – que vendem a recolha e conservação das células estaminais do cordão umbilical, as quais são retiradas na altura do parto, através de um kit que se vende.
A Bioteca cobra 115 euros pelo kit de recolha e transporte do sangue e 965 euros pela sua conservação durante 20 anos ou 1.235 euros se o prazo for de 25 anos.
Em relação às outras empresas, a Bioteca apresenta-se como a primeira a dispor de um laboratório em Portugal, já que as outras duas recorriam a laboratórios estrangeiros para a conservação deste material.
O director científico da Bioteca, Gonçalo Cabrita, reconheceu que a utilização das células estaminais recolhidas durante o parto de uma criança para a posterior cura de doenças nessa pessoa ainda não é muito utilizada, podendo as mesmas ser aplicadas para curar doenças em outras pessoas, nomeadamente familiares.
As doenças genéticas, por exemplo, não podem ser curadas com as células estaminais da própria pessoa, pois já levariam a respectiva informação (deficiência) genética.
Além da conservação das células estaminais do cordão umbilical, a Bioteca propõe-se investir na investigação, nomeadamente na reprodução das células estaminais para posterior aplicação terapêutica.
A recolha do sangue do cordão umbilical para posterior conservação é possível em Portugal há cerca de dois anos, altura em que começou a funcionar a Crioestaminal.
Mais recentemente, a empresa Bebévida anunciou a sua actividade nesta área.
O custo total cobrado pela Crioestaminal pelo serviço de isolamento e criopreservação das células estaminais do sangue do cordão umbilical por 20 anos é de 985 euros.
A Bebévida disponibiliza a conservação de células estaminais do bebé durante 25 anos com a finalidade da sua utilização “na terapia de diversas doenças” e cobra 1.465 euros por este serviço.
Perante o crescimento deste tipo de serviços, o Grupo Europeu de Ética alertou recentemente para o “engano” que é congelar células do cordão umbilical para a utilização futura do dador, já que é raríssimo o seu uso no tratamento de doenças.
Este órgão consultivo da Comissão Europeia especifica que “a probabilidade de se precisar de um transplante autólogo [de tecidos provenientes do próprio dador] está estimada em aproximadamente um em cada 20 mil casos, durante os primeiros 20 anos de vida”.
O Grupo Europeu de Ética alerta também que “não foi ainda demonstrado que as células que se destinam a ser utilizadas em transplantes possam ser armazenadas por mais de 15 anos”.
Apesar da intensa investigação realizada nas células estaminais, particularmente sobre a sua aplicação em doenças como Parkinson, diabetes ou cancro, “não foi ainda demonstrada nenhuma prova evidente da utilidade das células estaminais”.
Assim, é “altamente hipotético que as células do cordão umbilical mantidas para utilização no dador tenham algum valor no futuro”, frisa o Grupo Europeu de Ética.
FONTE: Agência Lusa (Notícia SIR-7319094)


