Oceanos: Investigadores portugueses criam sistema para analisar imagens satélite 7 Setembro

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Um grupo de investigadores portugueses está a desenvolver um sistema de interpretação das imagens de satélite do oceano para melhorar os estudos ambientais das zonas costeiras e da qualidade da água.

O projecto Amazing tem como objectivo “o desenvolvimento de algoritmos para, através da interpretação das imagens de satélite, ser possível analisar propriedades da superfície dos oceanos”, explicou à Lusa José Teixeira da Silva, investigador do Instituto de Oceanografia.

A detecção remota (imagens por satélite) é particularmente útil quando não se dispõe de dados de campo ou são necessários dados de regiões mais inacessíveis, já que “as medições no campo são muito mais caras”.

Outro objectivo do projecto é a investigação de processos de interacção físico-biológica próxima da superfície do mar, como os efeitos de ondas internas na produção de fitoplâncton (algas microscópicas que estão na base da cadeia alimentar aquática).

Por exemplo, no Havai está a ser investigada a influência destas ondas na pesca, adiantou o mesmo especialista.

As imagens são também úteis para observar fenómenos de poluição, como por exemplo os “slicks”, películas superficiais de matéria orgânica que podem ter origem humana (poluição) ou natural.

Os “slicks” acumulam-se na superfície do mar, formando um aspecto espelhado que pode ser observado em dias de mar calmo e vento fraco e podem alterar consideravelmente as imagens de satélite do oceano.

O projecto Amazing, que integra uma equipa de oito pessoas, começou no início do ano, mas só em finais de Agosto se obtiveram os meios necessários para realizar uma campanha oceanográfica, em que participaram 12 cientistas ligados a um outro projecto (PROFIT) e que recolheram dados de campo entre o cabo Espichel e o cabo da Roca.

“Foi feito um levantamento de hidrologia (medição da profundidade, da temperatura e salinidade do mar) e recolha de amostras para análise química do fitoplâncton”, disse à Lusa Paulo Oliveira, investigador do INIAP-IPIMAR (Instituto de Investigação das Pescas e do Mar) e que participou nesta campanha.

Os cientistas pretendem analisar os processos físicos associados às condições de formação do fitoplâncton para compreender melhor o desenvolvimento desta comunidade de algas.

“É importante identificar as condições específicas para a proliferação das algas. Algumas não fazem mal nenhum e limitam-se a mudar a cor das águas, mas outras são tóxicas”, afirmou Paulo oliveira.

Os dados podem contribuir para a criação de um sistema de previsão da ocorrência destes fenómenos, sublinhou.

Além disso, os resultados são importantes para aferir as zonas mais ricas em pesca.

“Se fizermos um mapeamento correcto do oceano e descobrirmos as concentrações mais elevadas de fitoplâncton podemos encontrar também as zonas normalmente mais ricas em pesca”.

Os projectos recorrem a imagens por satélite disponibilizadas pela Agência Espacial Europeia (ESA) que abriu um concurso possibilitando aos cientistas a utilização das imagens.

FONTE: Agência Lusa (Notícia SIR-7298909)

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